Há quase três décadas, Ivanise da Silva Santos vive uma dor interminável: a ausência da filha, Fabiana Esperidião da Silva, desaparecida aos 13 anos, em 1995, a poucos metros de sua casa em São Paulo. Esse evento transformou Ivanise em uma ativista fervorosa pelos direitos das famílias que enfrentam o mesmo desafio. A determinação a levou a fundar a Associação Mães da Sé, ajudando outros que sofrem pela falta de respostas sobre seus entes queridos desaparecidos.
No dia 27 deste mês, Ivanise viu surgir uma nova esperança durante uma cerimônia em Brasília, onde o Ministério da Justiça e Segurança Pública lançou o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas. Este sistema inovador, que integra diversas bases de dados, acende uma luz no caminho das famílias que buscam informações e soluções.
O que existe de novo no Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas?
Em entrevista, Ivanise revelou seu estado de gratidão ao participar da inauguração do cadastro, um esforço que ela descreveu como o marco inicial de uma longa jornada. "A incerteza, a pior dor que existe, é mil vezes pior que a morte", lamenta, mas com a esperança de que o novo sistema possa mudar esse panorama.
Este registro, além de ajudar as famílias, promete aumentar a eficácia das investigações realizadas pelos estados e seus agentes de segurança. Afinal, em 2024, o Brasil registrou impressionantes 81.022 desaparecimentos, dos quais apenas 68% foram solucionados. Um número que todos anseiam ver crescer através desse novo esforço coletivo.
Quais são as funcionalidades do painel em Brasília?
Isabel Figueiredo, diretora do Sistema Único de Segurança Pública, destacou duas funcionalidades lançadas juntamente ao cadastro: o painel público, que exibe casos com fotos e informações gerais; e um cadastro restrito para órgãos de segurança pública, contendo dados mais aprofundados disponíveis apenas para profissionais credenciados. Essas ferramentas têm como objetivo acelerar a comunicação e coordenação dos casos.
A mudança no protocolo sugere que os registros sejam acionados imediatamente, diferente dos 48 horas previstos em algumas regiões, aumentando as chances de encontrar desaparecidos com vida.
Como este sistema pode ajudar quem busca seus entes queridos?
A implementação do cadastro é mais que uma lista de nomes; é um sofisticado sistema de gerenciamento de informações que cruzará dados para gerar pistas e apoiar a prevenção e buscas futuras. "Para o Estado, representa mais coordenação, menos duplicidade e políticas baseadas em evidências", explicou Nicolas Olivier, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
Para Mário Luiz Sarrubbo, secretário nacional de Segurança Pública, "precisamos conscientizar não só o poder público de norte a sul deste país, mas também a sociedade civil" quanto à importância desta ferramenta.
Histórias que simbolizam a esperança
A história de Kátia Liberato é uma dolorosa lembrança da realidade enfrentada por muitos brasileiros. Sua mãe, Mirian, desapareceu em 1999 após uma discussão familiar, deixando Kátia, então adolescente, com a responsabilidade de tentar localizar sua mãe. Sem um sistema unificado, a busca se tornou um desafio monumental, envolvendo viagens ao Ceará e Goiás, em meio a dificuldades financeiras.
Agora, com o novo cadastro, Kátia vê suas esperanças renovadas: "Demorou para o Brasil ter um cadastro unificado. Mas essa é uma boa notícia. Eu ainda penso em encontrar minha mãe."
Com informações da Agência Brasil