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BRASIL

Pesquisa aponta desigualdade da conexão digital no país

Você já se perguntou como a conectividade digital afeta a desigualdade social no Brasil? Um estudo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em parceria com o Instituto de Defensa de Consumidores (Idec) revela um cenário alarmante: uma parte consid

03/09/2025

03/09/2025

Você já se perguntou como a conectividade digital afeta a desigualdade social no Brasil? Um estudo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em parceria com o Instituto de Defensa de Consumidores (Idec) revela um cenário alarmante: uma parte considerável da população, especialmente os mais pobres, sofre com a falta de acesso à internet móvel devido às limitações das franquias de dados.

A pesquisa aponta que 35% das pessoas com renda de até 1 salário mínimo e 35,6% daquelas que ganham entre 1 e 3 salários mínimos, ficaram sem acesso à internet móvel por sete dias ou mais nos 30 dias que antecederam o levantamento. Esse problema se intensifica entre os de menor renda: 11,6% ficaram mais de duas semanas desconectados, número quase seis vezes maior do que entre aqueles que ganham acima de 3 salários mínimos.

Como a falta de dados afeta o dia a dia das pessoas?

O estudo destaca que devido à ausência de pacotes de dados e Wi-Fi, mais de 60% dos brasileiros deixaram de usar serviços bancários ou financeiros. Outras estatísticas são igualmente preocupantes:

  • 56,5% deixaram de acessar plataformas de serviços do governo;
  • 55,2% pararam de estudar;
  • 52,3% não conseguiram usar serviços de saúde.

Esses números reforçam a necessidade de medidas que garantam o acesso à internet como um direito básico.

Impacto da publicidade e barreiras financeiras

Outro aspecto abordado é o impacto da publicidade no consumo de dados. A percepção de que vídeos publicitários aparecem frequentemente atinge todas as faixas de renda.

A compra de celulares também reflete a desigualdade econômica. Para aqueles que ganham até 1 salário mínimo, 51% têm celulares comprados por menos de R$ 1 mil. Por outro lado, nas faixas de maior renda, são comuns os aparelhos mais caros, uma clara barreira ao acesso a tecnologias mais avançadas.

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Preferências no uso de dispositivos

A pesquisa também revelou que, apesar do alto custo, muitos preferem computadores para tarefas essenciais. No entanto, 47,3% das pessoas sem PCs apontam o preço como o principal obstáculo para sua aquisição. Outros fatores como falta de interesse e dificuldade de uso representam quase 30% dos motivos.

Essa preferência por computadores reflete a necessidade de se incentivar o acesso a esse tipo de dispositivo, que oferece melhores condições para atividades como trabalho, estudo e acesso a serviços governamentais.

Índices de satisfação e desafios restantes

Os entrevistados deram notas altas para a satisfação com seus celulares e habilidades digitais, 8,3 e 8,2 respectivamente. Entretanto, as expectativas de infraestrutura de internet, fixa e móvel receberam uma média de 7,6.

Para a parcela mais vulnerável da população, a satisfação é menor, especialmente entre os que possuem renda de até 1 salário mínimo. Segundo o estudo, há um descompasso entre como as habilidades digitais são percebidas e sua aplicação real.

Perspectivas para um futuro mais conectado

Como afirma Luã Cruz, do Idec, "a promoção de conectividade significativa é essencial para a defesa e a promoção de direitos fundamentais". O estudo mostra que é fundamental desenvolver políticas amplas para aumentar o acesso à banda larga e outras soluções de conectividade.

Para Cristiana Camarate, conselheira diretora da Anatel, "os resultados da pesquisa apontam caminhos para aperfeiçoar iniciativas de inclusão digital". A meta é garantir que todos os cidadãos tenham acesso à internet e aos benefícios que ela proporciona.

Metodologia

Entre agosto de 2023 e junho de 2024, a pesquisa utilizou o método CATI (Computer Assisted Telephone Interviewing) para ouvir 593 pessoas em todo o país, abrangendo usuários de serviços de telefonia móvel (pré e pós-paga) ou banda larga fixa, maiores de 18 anos.



Com informações da Agência Brasil

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