Na imponente cidade de São Paulo, um canto especial foi reservado para recordar as lutas pela democracia no Brasil. Localizada atrás da Câmara Municipal e bem perto do movimentado Terminal Bandeira, a Praça Memorial Vladimir Herzog se ergue como um símbolo poderoso da resistência contra a ditadura militar. A praça não apenas homenageia o icônico jornalista assassinado, Vladimir Herzog, mas também todos aqueles que, ao longo dos anos, se dedicaram a manter viva a chama da democracia.
Para reforçar esse compromisso inabalável com a memória e a resistência, surgiu o Calçadão da Resistência. Idealizado pelo Coletivo Cultural Associação de Amigos da Praça Memorial Vladimir Herzog, a obra consiste em tijolos intertravados que eternizam os nomes de jornalistas e personalidades contempladas com o prestigioso Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, ativo desde 1979.
Quem são os homenageados do Calçadão da Resistência?
Os primeiros 51 tijolos foram recentemente instalados em uma cerimônia emocional no coração da praça. Entre os homenageados, nomes de peso do jornalismo e ativismo brasileiro como Tim Lopes, Sueli Carneiro, Mino Carta, Luiz Gama e até mesmo os trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que receberam o Prêmio Especial Vladimir Herzog por sua defesa incansável da comunicação pública em 2022.
"Uma das ações mais importantes, que mantém viva a memória do meu pai, é o Prêmio de Jornalismo Vladimir Herzog", destacou Ivo Herzog, ao lembrar que o prêmio já homenageou mais de 1.500 jornalistas que, desde 1979, lutam pela verdade e pela justiça em suas reportagens.
Quem foi Mouzar Benedito?
Mouzar Benedito, o primeiro jornalista premiado na antiga categoria Jornal, também tem seu nome cravado neste calçadão monumental. Em entrevista, Benedito refletiu sobre os tempos difíceis sob a ditadura. "Naquela época, tínhamos o sonho de mudar o mundo", confessou, destacando que muitos dos ideais daqueles tempos ainda ressoam hoje.
Hoje, embora mais cético, Benedito mantém a essência da luta democrática viva em seu coração. "A imprensa é essencial para a democracia. Sem dúvida", afirmou ele, sublinhando a continuidade da luta.
Qual o legado dos Trabalhadores da EBC?
Os funcionários da EBC se destacaram pela resistência num período turbulento da comunicação pública no Brasil, marcando seu compromisso em defender uma imprensa livre e justa. "Esta praça é um lugar simbólico, lembrando a memória dolorida do país", diz o presidente da EBC, Andre Basbaum, sobre o significado do prêmio e do Calçadão da Resistência.
A resistência dos funcionários foi essencial na continuidade de uma comunicação que prima pela verdade e pela qualidade da informação. Basbaum comentou sobre o papel da EBC como símbolo estratégico na defesa da democracia, enquanto celebrou o momento de renovação com a retirada da empresa da lista de privatizações.
Como o jornalismo sustenta a democracia?
Cinco décadas após a morte do jornalista Vladimir Herzog, Ivo Herzog lembrou que o jornalismo continua sendo um pilar essencial da democracia, um "quarto poder" que mantém governantes sob vigilância e informa o povo sobre decisões que impactam a sociedade.
"O hábito da democracia deve estar no nosso dia a dia", reforçou Basbaum, presidente da EBC, lembrando que é preciso um compromisso contínuo na preservação de valores democráticos. Ao visitar o Calçadão da Resistência, reflita sobre os nomes inscritos, entre eles:
- Mouzar Benedito
- Abdias Nascimento
- Alberto Dines
- Alex Silveira
- Audálio Dantas
- Bernardo Kucinski
- Caco Barcellos
- Cláudio Abramo
- D. Paulo Evaristo Arns
- Dom Phillips
- Glenn Greenwald
- Henfil
- Luiz Gama
- Mino Carta
- Tim Lopes
- Ziraldo
- Trabalhadores da EBC
Com informações da Agência Brasil