Dez anos após a tragédia que abalou Mariana e todo o Brasil, a TV Brasil traz à telinha mais um episódio arrebatador de Caminhos da Reportagem. Hoje, às 23h, o programa revisita o fatídico rompimento da barragem de Fundão, explorando as transformações vividas pelas comunidades e o impacto duradouro da mineração. Mas o que mudou realmente desde aquele 5 de novembro de 2015, quando 19 vidas foram perdidas e centenas ficaram desabrigadas? Será que as lições foram aprendidas ou ainda convivemos com o risco iminente?
Você conseguiria imaginar perder tudo de uma hora para outra? Foi o que aconteceu com os moradores de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, afetados pelo rompimento da barragem administrada pela Samarco. O programa leva você para dentro desta história de dor, memória e resiliência, buscando entender as mudanças ocorridas e o que ainda precisa ser feito para garantir que tragédias como essa não se repitam.
O que aconteceu no dia da tragédia em Mariana?
Em 2015, no município de Mariana, Minas Gerais, a barragem de Fundão se rompeu de forma devastadora. O choque do desastre ecoou por todo o país, não apenas pelas perdas humanas, mas pelo impacto irreversível no meio ambiente e na economia local. Segundo Guilherme de Sá Meneghin, promotor de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais, o alcance do desastre foi além do distrito inicial, afetando mais de 3 milhões de vidas em Minas Gerais e Espírito Santo. "Mais do que um crime ambiental, foi uma grave violação aos direitos humanos", ressalta Meneghin.
Quais são as histórias de quem vivenciou a tragédia?
Mônica Santos, liderança comunitária de Bento Rodrigues, guia os telespectadores pelos escombros de um passado vivido. Para ela, a sensação de impotência e injustiça é palpável. "A Samarco sabia do problema. E você continua vendo a empresa ditando regras sobre indenizações", lamenta Mônica.
Como a Samarco atuou após o rompimento?
Eduardo Moreira, gerente-geral de Projetos da Samarco, explica que a tragédia provocou uma reorientação dos negócios da empresa: "Precisávamos voltar de maneira diferente." E em dezembro de 2020, foi exatamente isso que a Samarco fez ao retomar suas operações, agora utilizando um método de descarte de rejeitos a seco em 80% das operações.
Quais são os riscos das barragens atualmente?
Mesmo depois da tragédia, a segurança nas barragens brasileiras continua sendo uma questão alarmante. Com mais de 900 barragens no país, 74 apresentam alto risco de colapso, segundo o Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração (SIGBM). Em Minas Gerais, 31 barragens estão em alerta. Moradores locais, como Thiago Damaceno e Ícaro Brito, vivem sob a sombra de novas tragédias, questionando a eficácia das medidas de segurança.
Existe um terrorismo de barragem?
Segundo Gilvander Luís Moreira, da Comissão Pastoral da Terra, o "terrorismo de barragem" tem sido uma estratégia para forçar a saída dos moradores, ampliando territórios mineráveis. "Foi criado como estratagema para burlar direitos assegurados", denuncia.
Como podemos evitar novas tragédias como Mariana?
Maurício Ângelo, jornalista e cientista ambiental, sugere a necessidade de repensar o modelo de mineração no Brasil para prevenir novos desastres. A experiência de Mariana deve servir como alerta permanente para o estado de Minas Gerais e todo o país em relação à segurança socioambiental.
Não perca a oportunidade de revisitar esta história e entender profundamente as implicações dessa tragédia ao assistir a Caminhos da Reportagem, e reflita sobre as transformações necessárias para um futuro mais seguro e justo.
Com informações da Agência Brasil