O Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (Muvb) fez severas críticas ao recente acordo entre a Braskem e o governo de Alagoas, relativo a um desastre geológico que resultou no afundamento de cinco bairros em Maceió. Talvez você não saiba, mas este pacto, que envolve uma indenização de R$ 1,2 bilhão, não contou com a participação das próprias vítimas nas negociações.
A ">>comunicação oficial do Muvb nas redes sociais rejeita o acordo, destacando um sentimento geral de indignação, já que as figuras mais atingidas pelo caso foram, de fato, deixadas de fora das tratativas.
Por que o acordo gerou tanta insatisfação?
O Muvb aponta que o acordo foi feito "sem as vítimas e contra elas", classificando-o como uma mera transação financeira e política, minimizando o impacto humano e ambiental. Para muitos, o montante acordado está longe de refletir a verdadeira dimensão dos danos causados. A associação lembra que R$ 30 bilhões eram estimados pela Secretaria de Fazenda de Alagoas, em contraposição aos R$ 1,2 bilhão oficializados. Mas afinal, quais cálculos justificam tamanha diferença?
Como o desastre se desenrolou?
O desastre geológico remonta à exploração de sal-gema, um mineral crucial na produção de soda cáustica e bicarbonato de sódio. A atividade causou instabilidade no solo, provocando o afundamento dos bairros. Entre os locais mais afetados estão Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol, levando milhares de moradores a deixarem suas casas por medidas de segurança.
Qual é a posição do governo e da Braskem?
O governo de Alagoas ainda não se posicionou sobre a insatisfação do Muvb. Já a Braskem defendeu o acordo, afirmando que este é um "significativo avanço para a companhia" em meio às consequências do evento. A indenização, prevista para ser paga em dez anos, com R$ 139 milhões já desembolsados, precisa ainda de homologação judicial.
O que o governo alagoano fará com a indenização?
Além do acordo, o governo alagoano anunciou investimentos de R$ 5 bilhões na região metropolitana de Maceió. Desse total, R$ 2,8 bilhões viriam da indenização, valores que incluem compensações já provisionadas e novas que estão em curso.
Quais foram as repercussões legais?
A tragédia chamou a atenção de diversas esferas legais. Em 2023, a Polícia Federal indiciou 20 pessoas por crimes relacionados ao afundamento. Já em 2025, a Defensoria Pública de Alagoas entrou com ação pedindo R$ 4 bilhões em compensações por desvalorização de imóveis. Importante lembrar que a prefeitura de Maceió também firmou um acordo anterior com a Braskem no valor de R$ 1,7 bilhão.
Como as vítimas estão sendo assistidas?
A Braskem informou que apresentou 19,2 mil propostas aos moradores afetados, das quais 99,9% foram aceitas. As indenizações pagas somam-se a um montante de R$ 4,23 bilhões desde 2019, abrangendo compensações e auxílios financeiros. Mais detalhes sobre as ações de reparação estão disponíveis no site da empresa.
A companhia é controlada pela Novonor e pela Petrobras, que detêm 47% das ações com poder de voto. Apesar dos acordos e compensações, a sensação de injustiça ainda paira sobre os que foram diretamente impactados pelo desastre.
Com informações da Agência Brasil