No coração da COP30, em Belém, um acontecimento chamou a atenção: o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) celebrou uma decisão judicial da Inglaterra que condenou a mineradora BHP pelo trágico rompimento da Barragem de Fundão em Mariana, Minas Gerais, há uma década. Esse evento, reconhecido como a pior tragédia ambiental do Brasil, trouxe à tona importantes questões sobre responsabilidade e reparação que continuam ecoando.
Em uma conversa com a Rádio Nacional, Ivanei Dala Costa, da coordenação nacional do MAB, destacou que esta decisão representa “mais uma vitória da luta dos atingidos”. Segundo ela, o reconhecimento da culpa por parte da Corte inglesa é um passo crucial na batalha contínua por justiça e reparação.
“Vem legitimar a luta, na verdade. E o fato da Corte dizer que a BHP é culpada, isso mostra que realmente eles têm que pagar e tem que fazer a reparação dos atingidos. E nós, enquanto movimento que lida, que organiza os atingidos, vamos continuar nessa luta para que realmente a reparação seja feita”.
Você já se perguntou como foi possível que tal tragédia ocorresse? Em novembro de 2015, a barragem em Mariana não apenas destruiu o distrito de Bento Rodrigues, mas também deixou um rastro de devastação que atingiu o rio Doce e chegou ao litoral do Espírito Santo. Dezenove vidas foram perdidas, enquanto a vida aquática foi brutalmente impactada.
Por que a condenação da BHP é tão significativa?
Na última sexta-feira, o Tribunal Superior de Londres anunciou a condenação da BHP pela catástrofe. A BHP, junto com a Vale, é coproprietária da Samarco, responsável pela operação da barragem em Mariana. Essa decisão judicial não é apenas uma vitória simbólica; ela é um marco importante para as famílias afligidas, que agora têm uma confirmação internacional de seu sofrimento e uma promessa de responsabilização.
Como a Vale se posiciona na COP30?
É intrigante observar, como aponta Ivanei Dala Costa do MAB, a participação da Vale no evento, apesar de sua ligação com a tragédia. Segundo Ivanei:
“Tem uma contradição muito grande aqui. Ao mesmo tempo que ela é uma das principais mineradoras aqui do Brasil, viola direitos, teve esses crimes e que até hoje está em processo ainda para reparação, se coloca nesses espaços oficiais como a empresa que trabalha em prol da sociedade, que está resolvendo os problemas. Eles extraem a nossa riqueza aqui, levam para fora, violam direitos e vão passar de bonzinhos aí nos espaços das negociações”.
No entanto, em sua defesa, a Vale anunciou na COP30 sua participação focada em três pilares: florestas e biodiversidade, descarbonização e transição energética e sociocultural. Parece que a mineradora está tentando reformular sua imagem diante do panorama global.
Qual é a próxima etapa para a BHP e Vale?
Apesar da decisão judicial, a Vale informou que vai contestar o veredito condenando a BHP e reforçou seu compromisso com a "reparação no Brasil e a implementação do Novo Acordo do Rio Doce". É um caso emblemático de empresas enfrentando seu histórico diante da legislação e das demandas sociais para uma verdadeira mudança.
Com informações da Agência Brasil