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BRASIL

Baixa escolaridade e renda são determinantes para entrada no crime

Imagine um cenário onde quase 80% das pessoas envolvidas em atividades criminosas são homens, 74% são negros e, surpreendentemente, metade deles são jovens, com idades entre 13 e 26 anos. Esses dados vêm à tona através do "Raio-X da Vida Real", um levanta

18/11/2025

18/11/2025

Imagine um cenário onde quase 80% das pessoas envolvidas em atividades criminosas são homens, 74% são negros e, surpreendentemente, metade deles são jovens, com idades entre 13 e 26 anos. Esses dados vêm à tona através do "Raio-X da Vida Real", um levantamento exclusivo do instituto de pesquisa Data Favela. Este estudo busca iluminar as dinâmicas sociais que sustentam as redes criminosas, trazendo à tona a perspectiva dos próprios envolvidos no crime em 23 estados brasileiros.

A pesquisa mergulha fundo no perfil sociodemográfico dos participantes, revelando que 80% nasceram e cresceram nas favelas, 70% são religiosos e metade tem um companheiro ou companheira. Além disso, 63% deles ganham até dois salários-mínimos e apenas 22% concluíram o ensino médio. Essa baixa escolaridade tem um impacto significativo na renda, conforme explica Marcus Vinícius Athayde, vice-presidente do Data Favela.

Por que a escolaridade é vital para sair do ciclo do crime?

"Atualmente, 7% não têm qualquer tipo de instrução", ressalta Athayde. A maioria esmagadora só possui o ensino fundamental, com muitos não completando essa fase da educação. "Isso torna clara a importância da escolaridade quando falamos desta situação". A falta de oportunidades derivada da baixa instrução parece ser um dos fatores que empurra muitos para o crime.

Qual é o verdadeiro motivo para entrada no crime?

Ao fundo, a questão econômica é a principal razão para a entrada no mundo do crime, como aponta o sociólogo e diretor técnico do Data Favela, Geraldo Tadeu. "Cerca de 49% justificaram esse passo como uma necessidade econômica ou a falta de dinheiro", diz ele. No entanto, Tadeu enfatiza que os mitos comuns, como o desejo de ser admirado ou usar roupas de marca, representam uma pequena parcela das motivações, com apenas 8% dos entrevistados alegando isso.

É possível conciliar o crime com outra atividade laboral?

Para muitos, a realidade financeira de atividades criminosas decepciona, levando aproximadamente 36% dos entrevistados a buscar outro emprego para complementar a renda. "Essas pessoas entram achando que vão conquistar uma independência financeira, mas logo descobrem que não é bem assim", explica Tadeu.

Há esperança de reverter essa situação?

A esperança não está perdida. Quando perguntados se deixariam o crime caso tivessem chance de outra vida, 58% disseram que sim, estariam dispostos a mudar de rumo caso oportunidades surgissem. Mais detalhes sobre essa pesquisa reveladora podem ser encontrados no site oficial datafavela.com.br.

O levantamento foi realizado entre 15 de agosto e 20 de setembro deste ano, trazendo à tona questões urgentes que devem ser endereçadas para uma sociedade mais justa e inclusiva.



Com informações da Agência Brasil

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