Você já ouviu falar da Sinara Rúbia? Ela é a diretora do Museu da História e Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), no Rio de Janeiro, e tem uma trajetória inspiradora. Além de seu trabalho como atriz, autora e educadora, Sinara desempenha um papel vital na valorização das narrativas negras e na recontagem da história do Brasil por meio de uma perspectiva afro-brasileira.
Dentro do Muhcab, cercada por espadas-de-São-Jorge, ela lidera um espaço que não apenas preserva artefatos físicos, mas também celebra o patrimônio cultural imaterial. “Esse é um museu vivo, quilombo, que trabalha tanto o acervo físico, quanto o nosso patrimônio cultural afro-brasileiro, que é imaterial”, afirma Sinara, descrevendo o caráter único e pulsante do museu.
Qual é a história por trás da pantera negra Sinara Rúbia?
Sinara, filha de Iansã, nasceu em Itaperuna, estado do Rio de Janeiro, e desde cedo teve uma vida marcada pela rica tradição oral e pelas histórias que contava às suas três irmãs mais novas. Com o tempo, ela enfrentou o racismo em Petrópolis e encontrou no movimento de mulheres negras do Rio um espaço de transformação pessoal.
A trajetória de Sinara reúne várias experiências e uma performance icônica: a do Partido dos Panteras Negras, que ela encenou durante o carnaval de 2014 no Rio. Vestida de Black Panther, ela cruzou a cidade com amigas, cada uma portando um simbólico fio de contas, um livro, e outros que remetiam a uma ancestralidade rica e marcante.
Que papel tem o Muhcab na luta contra o racismo?
Para Sinara, a gestão do Muhcab é mais que um compromisso profissional; é uma forma de reparação histórica. Sob sua direção, o museu tem se dedicado a contar histórias de capoeira, samba, maculelê e quilombos, promovendo não apenas a memória, mas o orgulho e a identidade cultural. “Parafraseando Nego Bispo, esse museu aqui não é para contar a história de 'nós perdendo', mas de 'nós ganhando'”, destaca Sinara.

Como Sinara promove conexão entre arte e comunidade?
Recentemente, Sinara, junto com a arquiteta Gisela de Paula, inaugrou a galeria de arte negra Espaço Berê no Muhcab. Com isso, busca aproximar a arte negra da comunidade, integrando a memória, ancestralidade e afeto às exposições. Essa iniciativa reforça a importância de questionar as narrativas coloniais tradicionais, oferecendo, em seu lugar, uma história rica de protagonismo negro.
Quais são os próximos passos de Sinara?
Sinara segue firme com sua espada de Iansã em mãos, símbolo de sua luta e resiliência, e se prepara para seu próximo compromisso em Brasília. Continuando sua atuação como uma verdadeira pantera negra, ela simboliza os ventos de mudança que sopram a favor de uma sociedade mais justa e equitativa.
Com informações da Agência Brasil