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BRASIL

Retirada de sem-terra de fazendas em Rondônia termina com duas mortes

Em Machadinho do Oeste, Rondônia, um confronto trágico ocorreu na quinta-feira (20) envolvendo Policiais Militares e manifestantes sem-terra. Na tentativa de descrever uma situação delicada, a polícia relata um tiroteio em que dois irmãos, Alex e Alessand

21/11/2025

21/11/2025

Em Machadinho do Oeste, Rondônia, um confronto trágico ocorreu na quinta-feira (20) envolvendo Policiais Militares e manifestantes sem-terra. Na tentativa de descrever uma situação delicada, a polícia relata um tiroteio em que dois irmãos, Alex e Alessandro Santos Santana, perderam a vida durante uma patrulha em fazendas pertencentes ao espólio do empresário João Carlos Di Genio, fundador do grupo educacional Unip/Objetivo. Mas será que a história é tão simples assim? Testemunhas e membros da Comissão Pastoral da Terra contestam a versão oficial, acusando a polícia de perseguição injustificada.

A versão da Polícia Militar contra as alegações da Comissão Pastoral da Terra

De acordo com a Polícia Militar de Rondônia, a tragédia se desenrolou enquanto os agentes realizavam patrulha preventiva para evitar novas ocupações em uma área recentemente desocupada. A polícia afirma que os irmãos Santana estavam em alta velocidade pela Rodovia RO-133 ao ignorar uma abordagem policial, o que resultou em uma perseguição de tirar o fôlego.

No entanto, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) tem outra narrativa. Para eles, a polícia estaria conduzindo uma "caçada humana" contra os sem-terra, uma vez que as famílias já haviam iniciado a retirada pacífica das propriedades conforme a ordem judicial de desocupação.

O que levou ao confronto fatal?

Segundo a PM, a situação esquentou quando, ao tentar despistar os policiais, os irmãos abandonaram o carro após ficar atolado e teriam disparado primeiro contra os agentes, justificando a reação policial. Contudo, essa sequência de eventos é fortemente contestada por testemunhas da CPT que alegam não ter havido troca de tiros, descrevendo as mortes como não investigadas adequadamente por falta de perícia imediata no local.

A tensão crescente na disputa por terras em Rondônia

A situação em Machadinho do Oeste é apenas uma parte de um problema maior. Com possíveis envolvimentos judiciais, as terras disputadas pertencentes ao Grupo Di Gênio estão no centro de um dilema: os sem-terra alegam que essas seriam terras públicas griladas, enquanto os representantes do grupo afirmam que as áreas são produtivas e pertencentes legalmente a eles.

As críticas ao uso excessivo de força durante a reintegração de posse são inúmeras e incluem a falta de protocolos formais geralmente exigidos em ações dessa magnitude. Debates sobre o desmatamento, extração ilegal de madeira e construção de infraestrutura não autorizada dão ainda mais camadas a essa questão intrincada e profundamente humana.

O que o futuro reserva para os envolvidos?

Com organismos como a Agência Brasil e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) envolvidos, e busca por apoio de órgãos governamentais e judiciais, a situação parece longe de um desfecho. Existe uma necessidade premente de resolução pacífica e justa que considere os direitos humanos, sociais e econômicos de todos os envolvidos.

Essa questão não é apenas uma batalha legal; é uma questão de direitos humanos e segurança social que precisa de atenção constante e ponderada por parte de todas as partes interessadas. Resta saber se as partes envolvidas conseguirão chegar a um entendimento que evite tragédias como a que ocorreu com os irmãos Santana.



Com informações da Agência Brasil

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