Não é só uma viagem, é uma jornada de resistência. Desde a Paraíba, mulheres negras partem rumo à 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem-viver em Brasília, demonstrando uma determinação que o verbo "teimosar" tão bem descreve. Em 25 de novembro, elas se juntarão a um milhão de vozes para marchar por direitos fundamentais e um futuro sem violência.
Mas o que realmente impulsiona essas mulheres a caminharem durante quase dois dias para defender o bem-viver? É a busca por direitos essenciais – moradia, emprego, segurança – e, principalmente, uma resposta à dívida histórica que lhes é devida em forma de reparações estruturais.
O que motiva a marcha?
Em cada aspecto de suas vidas, essas mulheres enfrentam desafios que vão além das necessidades básicas. É sobre viver com dignidade, em paz e com oportunidades justas. A marcha é uma plataforma para reivindicar soluções concretas para tais desigualdades, impulsionadas pelas históricas injustiças sociais e raciais.
Por que "teimosar" é mais que persistência?
A expressão "teimosando", do discurso da líder quilombola Elza Ursulino, ganhou novo significado através do movimento de mulheres negras na Paraíba. Uma homenagem que destaca a determinação para enfrentar as desigualdades estruturais, "teimosar" simboliza a luta contínua pelo melhoramento das condições de vida nas comunidades.
A Abayomi, "encontro precioso" em iorubá, tomou forma após a primeira marcha em 2015, para continuar a luta pelo enfrentamento ao racismo e pelas reparações necessárias.
O impacto do autocuidado na resistência social
Autocuidado, um ato político e coletivo, volta a figurar como tema de destaque, ressaltando sua importância para combater o estresse e promover a saúde mental. "Ele pode transformar a autoestima e a autodeterminação das mulheres", comenta a psicóloga Hidelvânia Macedo, da Abayomi.
É sobre reconhecimento da necessidade de cuidar de si mesmo como resistência e ferramenta para reconquistar aquilo que foi historicamente negado.
Como a necropolítica desafia a vida?
Numa reflexão sobre políticas de morte que historicamente afetam as comunidades negras, o termo "necropolítica" ganha destaque como uma explicação para as desigualdades de oportunidades de vida. "Essa é uma herança do colonialismo", destaca Durvalina, da Abayomi.
As mulheres negras percebem o viés histórico do racismo nessa política e começam a despertar para lutas que definirão seu futuro e o da sociedade.
Quais são as propostas para reparação?
Em busca de reparações efetivas, a marcha lança o Manifesto Econômico e Institucional. Este documento traz um plano detalhado em sete eixos, que incluem desde a taxação de grandes fortunas até reformas agrárias e urbanas, mostrando a amplitude e profundidade das transformações exigidas para reparar os danos históricos e criar uma sociedade justa e igualitária.
O manifesto é mais um passo na "teimozeira" que, tal qual Elza, vem para transformar a sociedade, liderado por mulheres que não apenas sonham, mas agem pela mudança.
Com informações da Agência Brasil