Em Brasília, um evento significativo traz à tona memórias dolorosas e fortalece a luta por justiça e memória no Brasil. O Encontro Nacional de Familiares de Pessoas Mortas e Desaparecidas Políticas, que acontece até esta quarta-feira, não apenas recorda, mas também celebra os 30 anos de uma luta incessante organizada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania junto à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Você pode imaginar o peso que significa ter nas mãos uma certidão de óbito corrigida, que finalmente reconhece a verdade após anos de histórias silenciadas?
Nesta terça-feira, 26 famílias receberam este reconhecimento; suas certidões de óbito agora trazem a verdade: a morte não natural de suas vítimas, resultado direto da ação do Estado brasileiro durante a repressão da ditadura militar de 1964. Este gesto simbólico não é apenas um acerto de contas com o passado, mas também uma luz de dignidade para aqueles que sofreram injustamente.
Como os familiares retomam suas histórias?
Maria Helena Monteiro é um exemplo vivo desta penitência histórica. Com apenas 16 anos, ela perdeu o pai, Alfeu de Alcântara Monteiro, um tenente-coronel que teve a coragem de se opor ao golpe militar. Décadas depois, ela segura a certidão de óbito do pai agora corrigida, um pequeno conforto em meio a uma perda imensurável.
Qual a importância da correção das certidões?
Nomes como o de Divino Ferreira de Souza, mais conhecido como Nunes da Guerrilha do Araguaia, trazem à tona histórias de bravura e sacrifício. Seu desaparecimento em 1973 agora tem uma narrativa pública restaurada através da cerimônia de entrega de uma certidão corrigida, recebida por sua irmã Terezinha Souza Amorim, que ressalta a necessidade de abrir os arquivos da ditadura para trazer à luz aquilo que foi encoberto.
Qual o impacto destas cerimônias para a sociedade?
A entrega destas certidões não parou por aí. Este ano, mais de 165 certidões foram retificadas em Minas Gerais e São Paulo, refletindo o esforço contínuo para honrar aqueles que foram silenciados e devolver suas histórias às suas famílias.
Quais são as ações e mensagens do governo?
A Ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, reiterou que a luta pela memória, verdade, justiça e reparação extrapola mandatos governamentais; é uma causa de todos. Macaé destacou o trabalho de retomada no Cemitério de Perus, onde vítimas da ditadura foram enterradas clandestinamente.
O que mais acontece no evento?
O último dia do encontro será dedicado exclusivamente aos familiares, oferecendo um espaço de escuta e diálogo. Será apresentado o balanço das atividades deste ano e definidas as diretrizes para 2024, reafirmando o compromisso contínuo em busca da verdade.
Com informações da Agência Brasil