36° 29° | Rio de Janeiro - RJ

Dólar |

Euro |

Peso | 3.20


lupa
lupa
lupa
BRASIL

Estudo mostra que 4 milhões de pessoas estão sob domínio armado no Rio

A Região Metropolitana do Rio de Janeiro, em 2024, tinha cerca de 4 milhões de pessoas vivendo sob controle ou influência de grupos armados. Isso representa 34,9% da população e 18,1% da superfície urbanizada habitada. Este cenário preocupante é destacado

04/12/2025

04/12/2025

A Região Metropolitana do Rio de Janeiro, em 2024, tinha cerca de 4 milhões de pessoas vivendo sob controle ou influência de grupos armados. Isso representa 34,9% da população e 18,1% da superfície urbanizada habitada. Este cenário preocupante é destacado no mais recente Mapa Histórico dos Grupos Armados, desenvolvido pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF e pelo Instituto Fogo Cruzado. Mas o que realmente está por trás desses números alarmantes e qual o impacto na vida dos moradores?

De 2007 a 2024, a área sob controle de grupos armados cresceu 130,4%, e a população afetada aumentou 59,4%. Essa dinâmica é uma resposta direta às fragilidades do Estado, segundo a análise dos organizadores do estudo, apontando como esses grupos se tornaram parte estrutural da cidade.

Por que o domínio armado cresce no RJ?

Os pesquisadores fazem uma diferenciação importante entre "controle" e "influência". O controle envolve extração de recursos e imposição de normas pela força, enquanto a influência refere-se a um domínio parcial ou intermitente. Em 2024, 14% da região urbanizada e 29,7% da população viviam sob controle direto, e 5,3% dos moradores estavam sob influência. Desde 2007, o crescimento foi de 98,4% em áreas controladas e 420,1% em áreas sob influência.

Qual o impacto das operações de segurança entre 2016 e 2020?

Dois grandes ciclos são identificados. O primeiro, a "grande expansão" entre 2016 e 2020, coincidiu com a crise fiscal do Estado, o desmonte das UPPs e a intervenção federal, resultando em um aumento de 31,6% na área dominada. A partir de 2020, uma "retração gradual" é registrada, puxada pelo enfraquecimento das milícias. Contudo, esse recuo foi modesto, com uma redução de apenas 7,1% em área sob controle ou influência.

Como as estratégias de poder dos grupos armados afetam a população?

O relatório destaca duas estratégias principais: colonização de novas áreas, uma tática comum entre milícias, e conquista de territórios já controlados, uma abordagem típica de facções rivais. Enquanto áreas recentemente urbanizadas tendem a ser colonizadas, regiões já densamente habitadas são palcos de disputa. Cecília Olliveira, diretora do Instituto Fogo Cruzado, ressalta o aumento das disputas como um desafio diário para quem vive nessas áreas, impactando diretamente na segurança.

Imagem de referência sobre a violência no Rio de Janeiro

Quais são os dados mais recentes sobre controle territorial?

Em 2024, as milícias lideravam em extensão territorial, cobrindo 49,4% da área sob domínio armado, enquanto o Comando Vermelho (CV) dominava a população, controlando 47,2% dos moradores afetados. A Baixada Fluminense e a Zona Norte são áreas de intensa disputa territorial, com milícias e facções como TCP ganhando protagonismo nos últimos anos.

Como a desigualdade contribui para o domínio armado?

O relatório coloca em evidência as desigualdades estruturais nos territórios dominados. A renda média per capita em áreas controladas é significativamente menor do que nas áreas livres. A diferença é gritante na capital, refletindo uma profunda ligação entre domínio armado e disparidades socioeconômicas. A proporção de moradores não brancos é também maior em regiões sob domínio, expondo questões de racismo estrutural.

Que políticas públicas são necessárias para combater o domínio armado?

O Mapa 2025 enfatiza que apenas operações policiais são insuficientes sem políticas públicas contínuas que reduzam desigualdades e fortaleçam instituições. Os autores defendem a implementação de medidas que abordem questões de renda, território, racismo estrutural e mercados urbanos, além de uma revisão das instituições encarregadas de proteger os direitos cidadãos.



Com informações da Agência Brasil

Tags