Em 2024, o estado do Rio de Janeiro registrou 107 feminicídios, com mais de 60% das vítimas mortas pelo próprio companheiro ou ex-parceiro. Os dados integram a 20ª edição do Dossiê Mulher, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública do estado, analisando registros de ocorrências policiais. Aproveite para descobrir mais sobre este assunto preocupante, que evidencia um cenário alarmante de violência doméstica. O dossiê também destaca que pelo menos 69 mulheres foram assassinadas em suas próprias casas.
Se compararmos com 2023, quando houve registro de 99 feminicídios, vemos um aumento. Este tipo de crime, caracterizado pela ocorrência em contexto de violência de gênero, como a violência doméstica, é uma tragédia que revela muito sobre nossa sociedade. O levantamento ressalta que os feminicídios representaram 76% de todos os assassinatos de mulheres no estado, num total de 141 casos.
Quais são as características das vítimas e dos agressores?
No dossiê, podemos entender mais sobre o perfil das vítimas e quem são os agressores. Das 107 mulheres assassinadas, no mínimo 71 eram mães, sendo que 33 tinham filhos menores de idade, e 13 foram mortas na frente dos próprios filhos. A maior parte das vítimas tinha entre 30 e 59 anos e 71% eram negras. Sobre os agressores, quase 60% tinham registros criminais anteriores, incluindo ameaças e violência doméstica.
Por que os feminicídios continuam a acontecer?
Os dados do dossiê revelam que o feminicídio costuma ser o derradeiro capítulo de uma sequência de violências. 71% das mulheres que perderam a vida já tinham sofrido alguma agressão, embora apenas 17 tivessem formalizado denúncias e apenas 13 tivessem medidas protetivas. Isso demonstra a importância de sistemas mais eficazes para proteção e prevenção.
"Longe de configurarem episódios isolados, os feminicídios aparecem, na maioria das vezes, como o ápice de um processo cumulativo de agressões", destacam os autores do estudo. Isso sugere que, em muitos casos, sinais poderiam ter levado à intervenção, seja por medidas protetivas, monitoramento judicial, ou redes de acolhimento.
Quais são os outros tipos de violência de gênero?
Além dos feminicídios, o Dossiê Mulher apresenta estatísticas chocantes sobre outras formas de violência de gênero. Em 2024, mais de 154 mil mulheres foram vítimas de algum tipo de violência, o que se traduz em 421 por dia ou 18 por hora. A violência psicológica foi a mais reportada, com 153 casos diários, somando mais de 56 mil ao longo do ano.
Os dados sobre violência sexual também chamam atenção: houve 8.339 registros contra mulheres e meninas, mais de 22 por dia. Predominam os casos de estupro, totalizando cerca de 5 mil ocorrências, com 3.430 sendo estupros de vulnerável. Muitas vítimas eram meninas abaixo de 11 anos e, entre elas, pelo menos 653 foram vítimas do pai ou padrasto, e 565 de outros familiares.
Para quem deseja aprofundar-se nos detalhes dessa pesquisa, o dossiê completo está disponível aqui.
Com informações da Agência Brasil