No ano em que sediamos a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), o Brasil se viu diante de estatísticas reveladoras sobre a desigualdade na arborização urbana. Segundo o último Censo, cerca de 64,6% dos moradores de favelas vivem em ruas sem sequer uma árvore em áreas públicas. Esse número contrasta fortemente com os dados de outras regiões urbanas, onde apenas 31% das ruas são assim.
As revelações do Censo lançam luz sobre a disparidade entre as áreas pobres e mais favorecidas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destaca que, das 12.348 favelas brasileiras, um total de 10,4 milhões de habitantes não têm uma única árvore diante de suas residências. Essas informações foram publicadas no suplemento Favelas e comunidades urbanas, lançado recentemente.
Por que a presença de árvores nas favelas importa?
Você sabia que a presença de árvores pode impactar diretamente a qualidade de vida urbana? O chefe de Pesquisas Territoriais do IBGE, Filipe Borsani, diz que "a arborização é uma variável importante para o conforto térmico e a qualidade ambiental em tempos de aquecimento global".
Durante a COP30, foi lançado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima um Plano Nacional de Arborização Urbana. Esse plano visa melhorar a cobertura vegetal das cidades brasileiras, atualmente bem abaixo dos padrões desejáveis.
Como está a distribuição de árvores nas favelas?
Embora apenas 35,4% dos moradores de favelas tenham ao menos uma árvore na frente de suas casas, as variações são grandes. Em localidades menores, como favelas com até 250 habitantes, quase 46% têm árvores próximas. Já em comunidades mais populosas, essa porcentagem diminui consideravelmente.
Na favela de Sol Nascente, Brasília, uma das maiores do Brasil, surpreendentemente, 70,7% dos moradores têm árvores em sua vizinhança. Em contraste, na favela de Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, apenas 3,5% dos moradores usufruem dessa benfeitoria.
Qual a importância dos bueiros nas áreas urbanas?
Outra infraestrutura essencial, os bueiros, também foram analisados. Nas favelas, 45,4% dos moradores têm acesso a bueiros, enquanto fora dessas áreas, essa taxa sobe para 61,8%. Essenciais para o escoamento adequado de águas pluviais, os bueiros são mais frequentes em favelas mais populosas, atingindo até 54,1%.
Esses dados reforçam a urgência de ações voltadas para aumentar a cobertura vegetal e aprimorar a infraestrutura nas favelas, oferecendo melhor qualidade de vida e igualdade urbana.
Com informações da Agência Brasil