Angola, uma nação rica em cultura e desafios sociais, foi o cenário que tocou profundamente o coração de Betty Mae Agi e sua irmã Brenda. As duas biomédicas, formadas em Brasília, decidiram abrir mão de sua cerimônia de formatura para mergulhar em uma missão humanitária no continente africano. Elas estavam longe de suas casas, mas a visão de crianças descalças, vulneráveis ao contato direto com o esgoto a céu aberto, revelou a urgência de uma questão negligenciada.
A jornada foi mais do que uma viagem; foi um despertar para a dura realidade em que muitas crianças vivem. Em 2010, Betty e Brenda, notaram que, enquanto o mundo avançava em tantas tecnologias, aquelas vidas infantis em perigo eram ignoradas. Inspiradas a agir, de volta ao Brasil, usaram a plataforma do Orkut para lançar uma campanha. Combinando balé e chinelos em fotografias, elas conseguiram em poucos dias arrecadar mais do que os 250 pares de chinelos originalmente planejados. O impacto foi além das fronteiras: pedidos surgiram até do Brasil, Índia e Haiti, demonstrando a magnitude desse dilema global.
Qual é a importância de um par de chinelos?
"Na época, segundo dados da ONU, 300 milhões de crianças viviam descalças por falta de opção. E isso é um problema de saúde, um problema de dignidade, de mobilidade, de segurança", diz Betty Mae Agi. O surgimento da ONG Compaixão Internacional a partir dessa iniciativa foi um passo importante para mudar vidas. Até hoje, já foram doados chinelos para 60 mil crianças em 23 países, transformando cada par em um passaporte para a educação e mais.
"O par de chinelos hoje, para o público que a gente atende, não é só aquele pedaço de borracha que a gente tem vergonha de usar no Brasil, de repente. Ele é um meio de transporte. É o que vai delimitar se uma criança vai entrar na escola ou não".
Quem é Betty Mae Agi fora das palestras?
Betty não é apenas uma biomédica empenhada em criar mais justiça social. Ela é também uma gestora de projetos, palestrante e autista. Seu diagnóstico, revelado ainda na infância, nunca foi um impedimento. Com o apoio dos pais, que sempre falavam sobre missão e propósito, ela seguiu determinada nas suas conquistas acadêmicas e profissionais.
Mudando-se para Anápolis aos 15 anos para ingressar na faculdade, Betty enfrentou os desafios típicos de sua condição, incluindo crises sensoriais e ansiedade social intensa. "Sempre fomos intencionais no que estávamos fazendo, porque tem um custo muito alto", afirma. O incentivo para olhar o mundo de outra forma, para ela, passou de um olhar desconfortável nos olhos das pessoas para um foco nos pés, identificando ali uma causa maior.
Como Betty transforma obstáculos em conquistas?
Superar as dificuldades não foi fácil, mas Betty se destaca por transformar essas experiências em resiliência. Vencedora de reality shows de palestras como o "The Best Speaker Brasil", ela se destacou entre 36 mil inscritos, compartilhando sua história e recebendo aceitação por ser autêntica no palco. "O que me aterra nessa terra é um propósito", reflete, enfatizando que suas motivações são ancoradas em buscar impactar o mundo.
Com informações da Agência Brasil