Em meio a uma crescente onda de intolerância religiosa, um terreiro de candomblé em Aracaju, o Ìlé Àṣé Ìyá Ọṣún, precisou da ajuda urgente de sua comunidade. O local foi invadido há quase dois meses, resultando na depredação do espaço e no furto de eletrodomésticos como geladeira, fogão e máquina de costura, além da profanação de itens sagrados. Esses episódios destacam uma realidade preocupante de racismo religioso, que se estende por várias regiões do Brasil.
Uma situação recente, ocorrida em São Paulo, chamou a atenção quando um simples desenho infantil da orixá Iansã gerou uma resposta armada de policiais, após um pai ter expressado descontentamento com a atividade escolar. Esse cenário revela um preconceito que vai além da intolerância e chama atenção para a necessidade de discutir a questão do racismo religioso no país.
Como o racismo religioso é vivenciado nas comunidades afro-brasileiras?
De acordo com a pesquisa "Respeite o meu terreiro" realizada em 2025, mais de 80% dos terreiros consultados relataram ter sido vítimas de racismo religioso. Entre as agressões mais comuns estão ofensas verbais, xingamentos, ataques diretos e abordagens policiais discriminatórias. Esses incidentes, frequentemente, ocorrem ao menos uma vez a cada dois anos.
Quais são os desafios enfrentados pelos terreiros de candomblé?
A pesquisa indicou que 76% das casas religiosas sofreram algum tipo de violência, sendo que 74% foram alvo de ameaças, depredações ou destruições em razão do racismo religioso, similar ao que ocorreu com o terreiro em Aracaju. As agressões não se restringem ao mundo físico; mais da metade das lideranças religiosas relataram experiências de assédio online.
Por que é importante denunciar casos de racismo religioso?
Apesar da seriedade dos ataques, uma pequena parcela das vítimas consegue recorrer à polícia. Menos de 30% registraram um boletim de ocorrência. A denúncia é uma ferramenta essencial na luta contra o racismo religioso, servindo como base para exigir providências e proteger as comunidades afetadas.
Quais são as sugestões para enfrentar o racismo religioso?
Em declaração aos pesquisadores, Mãe Nilce, que supervisionou a pesquisa, destacou a necessidade de políticas públicas eficazes e uma maior conscientização social. "Somente a partir do respeito pelos modos destas comunidades haverá garantia de direitos", concluíram os pesquisadores.
Qual é o papel da legislação brasileira no combate ao racismo religioso?
No Brasil, o racismo religioso é considerado crime, prevendo penas que variam de dois a cinco anos de prisão ou multas. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo número 190, e denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque 100, uma linha direta do governo para relatar violações de direitos humanos.
Com informações da Agência Brasil