Nas palavras pungentes de Elisandra "Lis" Martins, a luta pela vida das mulheres ecoa pelas ruas de Brasília. Com ventos fortes e chuvas incessantes, milhares se reuniram no coração do Distrito Federal, na Batalha de Rimas durante o "Levante Mulheres Vivas," um protesto que não se limitou à capital, mas espelhou-se por diversas capitais brasileiras. O evento, apoiado por organizações femininas, foi um grito de socorro contra o feminicídio e a contínua omissão estatal na proteção das mulheres. Será que um dia o Brasil deixará essa amarga realidade no passado?
Debaixo de chuva e muita indignação
O protesto, realizado sob uma intensa chuva, atraiu uma multidão que levantava suas vozes contra a violência de gênero. Elisandra, uma jovem rimadora de 31 anos ligada ao coletivo Batalha das Gurias e à Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop, usou sua voz para desafiar a omissão estatal. A energia do evento estava carregada de expectativas e uma esperança tangível de que, através de seus versos e denúncias, algo mudasse.
Por que o Estado falha?
A crítica feroz ao papel do Estado não foi contida. Instituições, que deveriam garantir segurança, são acusadas de inércia. A doutora Vanessa Hacon, do Coletivo Mães na Luta, descreve um sistema que, ao invés de amparar, relega a culpa às vítimas. Ela cita uma verdade brutal sobre a violência processual que mulheres enfrentam ao buscar ajuda. A cada medida protetiva negada, reforça-se o grito de "basta" contra essa sistemática negligência.
Patriarcado: um inimigo milenar
"Feminismo é revolução," bradavam as manifestantes, apontando o patriarcado como um alicerce ancestral desta violência. Leonor Costa, militante do MNU, sublinha como o machismo estrutural é mais que um contexto histórico; ele perpetua um ciclo de violência assustador em pleno século XXI. Caso após caso, as manifestantes demonstram que essa estrutura social defasa o desenvolvimento humano completo, mantendo as mulheres acorrentadas e caladas.
Homens, educação e orçamento: como virar o jogo?
As mudanças não dependem só das mulheres. Renata Parreira ressalta a importância de incluir homens na desconstrução da masculinidade tóxica. Ao lado disso, o reforço de políticas públicas passa pelo comprometimento orçamentário. Sem fundos, alerta Renata, toda a batalha contra o feminicídio corre o risco de cair no vazio.
"Precisamos transformar a realidade por meio da educação. A cultura não é fixa, ela pode e deve mudar", conclui Renata.
A economia pode salvar vidas?
Aline Karina Dias, através de seu projeto de afroturismo, defende o empreendedorismo feminino como chave para quebrar ciclos de violência. A falta de independência econômica é muitas vezes um grilhão invisível, impedindo mulheres de saírem de situações abusivas.
Por dentro da onda de denúncias
O Brasil chorou com recentes histórias de crueldade extrema contra mulheres, de Tainara Santos a Maria de Lourdes Matos, cada nome uma recordação dolorosa das estatísticas implacáveis: 1.459 feminicídios em 2024. Espera-se que essas tragédias sejam um alerta não só para o governo, mas para toda a sociedade. Vamos permitir que mais mulheres silenciem suas histórias?
As ruas ecoaram "mulheres vivas", não como um pedido, mas como uma afirmação de luta contínua. Até onde essa resistência pode nos levar?
Com informações da Agência Brasil