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BRASIL

Seis ministras e um ministro participam do Levante de Mulheres no DF

No último domingo (7), em Brasília, um evento impactante foi organizado com o objetivo de ressaltar a urgência do combate à violência de gênero no Brasil. Intitulado 'Levante Mulheres Vivas', o ato contou com a presença de figuras públicas como seis minis

07/12/2025

07/12/2025

No último domingo (7), em Brasília, um evento impactante foi organizado com o objetivo de ressaltar a urgência do combate à violência de gênero no Brasil. Intitulado 'Levante Mulheres Vivas', o ato contou com a presença de figuras públicas como seis ministras e um ministro do governo federal, além da primeira-dama Janja Lula da Silva. Esse movimento foi uma reação à série de feminicídios recentes que chocaram o país.

Apesar das condições climáticas adversas, com chuva forte, a manifestação conseguiu atrair atenção e participação significativa. Entre os presentes estavam o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. A manifestação aconteceu simultaneamente em diversas capitais do Brasil, unindo vozes contra a violência sofrida pelas mulheres.

Seis ministras e um ministro participam do Levante de Mulheres no DF
As ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco, das Mulheres, Márcia Lopes, e da Gestão, Esther Dweck, durante o Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Qual a importância do engajamento masculino nessa luta?

Durante o evento, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, destacou a necessidade de engajamento dos homens na luta contra a violência de gênero. Para ela, essa é uma questão de toda a sociedade, que precisa da união de forças para superar problemas históricos e culturais que perpetuam a subordinação das mulheres.

"É muito importante ter os homens ao lado da gente nessa caminhada. Essa luta é de toda a sociedade. Temos que unir forças para tirar essa chaga da sociedade. Nós temos um problema histórico e cultural de subordinação das mulheres e temos que mudar isso", afirmou.

Como a memória de Marielle Franco impulsiona a causa?

Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, trouxe à tona a memória de sua irmã, Marielle Franco, assassinada em 2018. Ela enfatizou que os ataques bárbaros contra Marielle e outras mulheres como sua mãe, que também foi brutalmente assassinada, reforçam a necessidade de continuar a luta por justiça e equidade.

"Quando Marielle foi assassinada da maneira que foi, com cinco tiros na cabeça, logo depois a mãe Bernadete, poucos anos depois, com 21 tiros na cabeça, há um recado dado para essas mulheres. A gente tá aqui hoje pra dizer que vai permanecer viva, de pé, lutando, ocupando todos os espaços, eles queiram ou não. A gente vai permanecer", afirmou.

Seis ministras e um ministro participam do Levante de Mulheres no DF
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, fala durante o Levante Mulheres Vivas em Brasília - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quais são os desafios antigos enfrentados pelas mulheres?

Luciana Santos, ministra da Ciência e Tecnologia, indicou que a luta das mulheres contra a violência se arrasta há séculos. Ela ressaltou a importância de continuar a busca por igualdade salarial, acesso a creches, e a remoção de barreiras para mulheres que desejam seguir carreiras científicas.

"Isso é para que a gente possa ter a dimensão da batalha que tem pela frente. Por isso, a luta para que tenhamos salário igual para função igual, creches, direitos para que, nas universidades, as mulheres que sigam a carreira científica possam avançar sem nenhum tipo de empecilho", afirmou.

Como a invisibilidade afeta as mulheres indígenas?

Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, relembrou que a violência contra as mulheres indígenas frequentemente passa despercebida e não recebe a devida atenção, permanecendo fora das estatísticas e dos noticiários.

"Essa violência que a gente vê hoje em redes sociais, em noticiários, nos territórios indígenas acontece igualmente e nem notícia vira. Elas continuam no anonimato e ainda nem estatística viraram", lamentou.

Por que penas mais duras são urgentes?

A primeira-dama, Janja Lula da Silva, expressou sua indignação com os feminicídios e pediu por medidas mais rigorosas para punir os agressores, sublinhando a urgência de marcar um ponto de virada na proteção às mulheres no Brasil.

"Que hoje seja um dia que fique marcado na história desse movimento das mulheres pelo Brasil. A gente precisa de penas mais duras para o feminicídio. Não é possível um homem matar uma mulher e, uma semana depois, estar na rua para matar outra. Isso não pode acontecer", disse.

Seis ministras e um ministro participam do Levante de Mulheres no DF
A primeira-dama, Janja Lula da Silva, pediu penas mais duras para o feminicídio - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quais histórias recentes impulsionaram o movimentação nacional?

A violência em alta afrontou a sociedade brasileira, especialmente depois de casos brutais de feminicídio que ocorreram à luz do dia. Entre eles, está o chocante episódio de Tainara Souza Santos, que teve as pernas mutiladas após ser arrastada por um carro. Além dela, duas funcionárias do Cefet-RJ foram mortas por um colega que se matou em seguida. Outra vítima foi uma cabo do Exército, Maria de Lourdes Freire Matos, cujo corpo foi encontrado carbonizado em Brasília.

Esses incidentes são um reflexo de um problema endêmico. Em 2024, a estatística de feminicídio em solo brasileiro foi alarmante, com 1.459 mulheres mortas por questões de gênero—uma média de quatro por dia.

Cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica nos últimos 12 meses, conforme o Mapa Nacional da Violência de Gênero. As cifras continuam a crescer em 2025, acentuando a necessidade de ações urgentes.



Com informações da Agência Brasil

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