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BRASIL

Mulheres protestam no Rio e pedem maior presença do Estado

A história de Evelyn Lucy Alves da Luz, agente de educação infantil no Rio de Janeiro, é uma dolorosa recordação do dia 6 de fevereiro de 2017, quando sofreu uma tentativa de feminicídio a pleno sábado de Carnaval. Os tiros disparados por seu ex-marido ma

07/12/2025

07/12/2025

A história de Evelyn Lucy Alves da Luz, agente de educação infantil no Rio de Janeiro, é uma dolorosa recordação do dia 6 de fevereiro de 2017, quando sofreu uma tentativa de feminicídio a pleno sábado de Carnaval. Os tiros disparados por seu ex-marido marcaram profundamente a sua vida e a de sua filha, que então tinha apenas 6 anos e testemunhou a cena desfavorável. O trauma vivido ainda ecoa nos dias de hoje, trazendo à tona uma realidade cruel e frequentemente repetida em nosso país.

"Ele desferiu os tiros na frente da criança. Ela presenciou a mãe sendo quase morta, tornando esse crime ainda mais cruel", relembra Evelyn em conversa com a Agência Brasil. A violência aconteceu à luz do dia, no local onde deveria se sentir segura, em frente à sua casa na zona norte do Rio de Janeiro, após uma visita judicial da filha ao pai.

"Foi à luz do dia, em um sábado de Carnaval. Esse homem fez isso na frente de todos, algo que é comum. Eles não têm medo de serem violentos e agressivos", conta Evelyn, compartilhando as cicatrizes físicas e emocionais que carrega desde então. Três disparos: dois atingiram seu abdômen, fazendo-a perder o baço, parte do fígado e o ovário esquerdo; o outro, acertou seu rosto. Após 21 dias de internação, com 11 deles passados no CTI, Evelyn emergiu como uma sobrevivente, mas ainda luta contra os fantasmas deste episódio.

Mulheres protestam no Rio e pedem maior presença do Estado
Evelyn Lucy Alves da Luz, vítima de tentativa de feminicídio, denuncia violência de que foi vítima - Foto Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

Quem está ao seu lado após um trauma?

No percurso de se reerguer, Evelyn encontrou apoio crucial em mulheres que formaram redes em torno dela, fornecendo-lhe o afeto e o suporte que faltaram do Estado. "Só de estar viva, acho que já é uma grande militância porque passei por algo que nenhuma mulher merece passar", afirma Evelyn, ressaltando a ausência de auxílio governamental em pareço de recuperação.

"Recebi apoio de pessoas e não de organizações e nem do governo. Não recebi nenhum tipo de ajuda, nenhum tipo de ligação, não recebi apoio psicológico, financeiro, nada. Tive que me reerguer com meios próprios", lamenta.

Como superar a falta de apoio governamental?

A sobrevivência deu a Evelyn uma nova missão: lutar para que outras mulheres não passem pelo mesmo. Presente no ato "Na Rua por Mulheres Vivas!" em Copacabana, Evelyn levanta sua voz contra a falta de suporte e clama por medidas que realmente protejam aquelas que sobreviveram.

“Estou aqui por mim, por todas as outras que se foram e por aquelas que querem ser livres”, disse ela combativamente.

Qual é a realidade enfrentada por mulheres como Evelyn?

Vanderlea Aguiar, 49 anos, que também enfrentou situações difíceis, compartilha que sair de uma relação abusiva foi uma questão de sobrevivência. "Apoiar a Evelyn e as mulheres é dizer que a gente está viva, sobrevivendo e, mais do que isso, é dizer chega e que a gente não aguenta mais", disse à Agência Brasil. Vanderlea atua promovendo mudança e resiliência junto a outras sobreviventes.

Mulheres protestam no Rio e pedem maior presença do Estado
Wanderléa Aguiar e Adriana Domingues, no ato contra os feminicídios, no Rio de Janeiro - Foto Cristina Índio do Brasil/Agência Brasil

Adriana Herz Domingues, coordenadora do Coletivo Juntas, salienta a urgência em chamar a atenção do país para a violência crescente contra as mulheres. "A gente está lutando por isso, mas em primeiro lugar para que os casos de violência não aconteçam", enfatiza. A psicóloga destaca a importância de debates sobre violência e machismo nas escolas e do fortalecimento de uma rede de apoio.

Como agir para evitar novos casos de violência contra a mulher?

O país ainda carece de uma estrutura robusta para acolher mulheres em situação de risco. Iniciativas como concursos públicos que garantam emprego para essas mulheres e bolsas para que possam sair de relações abusivas são algumas das necessidades apontadas por Adriana.

"O atendimento psicológico é importante para que a mulher sinta que não está sozinha, tem um amparo, muitas vezes em grupo, para as que passam pela situação se fortalecerem coletivamente".

Durante o protesto em Copacabana, ao lado de cruzes pretas, girassóis foram simbolicamente colocados pela professora aposentada Deise Coutinho, representando a resistência e a força das mulheres que enfrentam essa dura realidade.



Com informações da Agência Brasil

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