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BRASIL

Acesso à IA no Brasil é marcado pela desigualdade social dos usuários

Milhões de brasileiros já embarcaram na onda da inteligência artificial (IA) generativa, mas o uso ainda é, em sua maioria, um privilégio das classes mais abastadas do país. Apesar de 50 milhões de usuários representarem um terço dos internautas no Brasil

09/12/2025

09/12/2025

Milhões de brasileiros já embarcaram na onda da inteligência artificial (IA) generativa, mas o uso ainda é, em sua maioria, um privilégio das classes mais abastadas do país. Apesar de 50 milhões de usuários representarem um terço dos internautas no Brasil, o acesso é desigual e depende de variáveis socioeconômicas.

De acordo com a Pesquisa TIC Domicílios, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), essa realidade escancara a desigualdade social no avanço tecnológico. Quer saber por que essa diferença persiste e quais são seus impactos? Continue lendo e descubra mais sobre como essa questão desafia a inclusão digital no Brasil.

Quem realmente está usando a inteligência artificial no Brasil?

O levantamento revela que 69% das pessoas na classe A utilizam IA, enquanto nas classes D e E esse número despenca para 16%. Em paralelo, o uso da ferramenta entre indivíduos com ensino superior é de 59%, bem diferente dos 17% observados entre aqueles com somente o ensino fundamental.

"A expansão da IA generativa evidencia os desafios da inclusão digital no Brasil. O acesso à tecnologia não basta se a conectividade for limitada, ou faltarem habilidades digitais. Esse cenário indica que os benefícios da IA, como ganhos de produtividade e novas formas de aprendizado, podem continuar concentrados nos grupos que, historicamente, já possuem mais oportunidades", destacou o coordenador da pesquisa TIC Domicílios, Fabio Storino.

Como a desigualdade afeta o acesso à internet móvel?

Outro dado importante da pesquisa é a diferença no acesso à internet móvel. Cerca de 39% dos entrevistados relataram que seus pacotes de dados acabaram ao menos uma vez nos últimos três meses, o que afetou principalmente usuários de planos pré-pagos – uma opção mais comum entre a população de baixa renda.

“Os novos indicadores da TIC Domicílios sobre o pacote de dados da rede móvel trazem uma contribuição importante para o debate sobre conectividade significativa, reforçando que não basta simplesmente ter acesso, é preciso que a qualidade desse acesso permita às pessoas se apropriarem dos benefícios oferecidos pelo ambiente online”, pontuou Storino.

A internet fixa está mais acessível?

Sim, houve avanços na conectividade domiciliar. A pesquisa aponta que 86% das residências já contam com acesso fixo à internet, mostrando um crescimento tanto na adoção quanto na qualidade, já que o uso de banda larga fixa subiu de 71% para 76%.

Como o Pix está inserido nesse cenário de desigualdade?

O Pix, ferramenta significativa de transações financeiras, é utilizado por 75% das pessoas conectadas à internet. Contudo, o uso é quase universal na classe A (98%), enquanto cai para 60% entre os usuários das classes D e E, evidenciando mais uma vez a disparidade econômica na apropriação de tecnologias.

O governo digital está alcançando os brasileiros?

Sim, mas ainda há barreiras. Em 2025, 71% dos usuários de internet utilizaram serviços de governo eletrônico. A plataforma Gov.br desempenha um papel fundamental nisso, sendo acessada por 56% dos usuários para serviços próprios ou de terceiro, mas o acesso é desigual dependendo do nível educacional e renda.

Apostas online: um problema em crescimento?

Com 19% dos internautas brasileiros, ou 30 milhões de pessoas, envolvidos em algum tipo de aposta online, a prática é notoriamente mais comum entre homens do que mulheres, especialmente em apostas esportivas. Essa tendência levanta preocupações sobre a necessidade de regulamentação e educação digital.

Acesso à IA no Brasil é marcado pela desigualdade social dos usuários

"Vemos revelado um número que considero bastante alarmante: temos cerca de 30 milhões de pessoas acima dos 10 anos que já realizaram algum tipo de aposta online", destacou a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli.

“Esse dado geral, e outros mais específicos que foram coletados, reforçam a urgência em se estabelecer mecanismos regulatórios e de literacia digital mais robustos sobre os riscos que envolvem a prática de jogos e apostas no meio digital”, acrescentou.

A pesquisa do CGI.br, com apoio do Cetic.br do NIC.br, revela tendências importantes e coletou dados entre março e agosto de 2025, incluindo uma ampla amostra de domicílios e indivíduos.



Com informações da Agência Brasil

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