Protestos tomaram conta da Avenida Paulista, na zona central de São Paulo, nesta terça-feira (16), quando moradores da Favela do Moinho se juntaram contra as demolições e despejos impostos na comunidade. As famílias lutam por uma solução definitiva que garanta o direito à moradia, já que audiências sobre remoções ocorrem sem a participação dos próprios moradores. A insatisfação ganha força pelo não cumprimento de um acordo que assegurava que só deixariam o local com novas habitações garantidas.
Pelos relatos, o pacto, firmado entre os governos federal e estadual, tem sido ignorado. Enquanto promessas ficam no papel, tratores continuam avançando, destruindo lares e gerando medo entre os residentes. Em postagens nas redes sociais, eles desabafam e pedem o fim da violência e insegurança que toma conta do dia a dia na favela.
O que motiva o conflito na Favela do Moinho?
Caio Castor, repórter e antigo morador da área, destaca que cerca de 177 famílias estão registradas com documentação pendente, e outras 70 esperam por inclusão em cadastros. Enquanto isso, as demolições persistem, apesar dos pedidos da Defensoria Pública para que sejam interrompidas até que todos sejam devidamente realocados.
"A Defensoria está ativa, buscando suspender as demolições enquanto resta gente morando ali e enquanto há lacunas no atendimento às famílias. Uma parte já está fora, recebendo apoio em forma de bolsa-aluguel, mas aguarda por uma moradia definitiva," revela ainda Castor, citando a fragilidade das audiências de conciliação, onde os moradores são silenciados.
Como a situação impacta os moradores?
Moradora há 20 anos, uma ex-residente compartilha seu relato sob a condição de anonimato. "Deixei tudo para trás com medo da repressão policial. Era impossível viver entre escombros," desabafa, ainda sem moradia definitiva. A esperança renasceu quando o presidente assumiu o compromisso de uma troca de "chave por chave." No entanto, ela vê a situação se transformar em uma contenda política sem respostas para os verdadeiros prejudicados.
Qual é o histórico do conflito?
O processo de desocupação começou sob a justificativa de criar um parque e a Estação Bom Retiro. A CDHU planeja requalificar o assentamento para implementar o Parque do Moinho, exigindo que cerca de 800 famílias deixem suas casas. Um acordo, proposto em maio, prevê que R$ 250 mil sejam destinados a cada família, não exigindo financiamento dos moradores, mas a realidade se mostra diferente na execução.
Quais são os próximos passos para resolver a questão?
O presidente Lula visitou a comunidade em junho para reafirmar o compromisso com o acordo. Contudo, no mês passado, o governo estadual destacou que já havia retirado cerca de 700 famílias, das quais 140 já estariam em moradias permanentes, enquanto as restantes aguardavam em unidades temporárias. Mesmo com o avanço nas realocações, denúncias de precárias condições e insegurança causam receio.
Enquanto a quarta audiência judicial sobre o caso estava em andamento, entidades defensoras dos direitos humanos aguardam que ambas as partes envolvidas cumpram promessas, interrompendo o medo e incertezas que ainda pairam sobre tantas famílias.
Com informações da Agência Brasil