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BRASIL

Acesso à internet na primeira infância mais do que dobrou desde 2015

O acesso à internet na primeira infância tem mostrado um crescimento significativo no Brasil, mais que dobrando nos últimos anos. Enquanto em 2015 apenas 11% das crianças tinham acesso, esse número saltou para 23% em 2024. Notavelmente, isso inclui quase

17/12/2025

17/12/2025

O acesso à internet na primeira infância tem mostrado um crescimento significativo no Brasil, mais que dobrando nos últimos anos. Enquanto em 2015 apenas 11% das crianças tinham acesso, esse número saltou para 23% em 2024. Notavelmente, isso inclui quase metade dos bebês com até 2 anos e 71% das crianças de 3 a 5 anos. O que está por trás desse aumento e quais são seus impactos? Vamos descobrir.

Este aumento no acesso levanta debates importantes sobre os benefícios e os riscos da exposição precoce às tecnologias digitais. Segundo o estudo "Proteção à primeira infância entre telas e mídias digitais" do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), divulgado recentemente, as recomendações são claras: a Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda o uso de telas para menores de 2 anos. E para aqueles entre 2 e 5 anos, o tempo de exposição deve ser limitado a uma hora por dia, sempre supervisionado por um adulto.

Quais são os desafios da desigualdade social no uso das telas?

A desigualdade social no Brasil reflete-se diretamente no uso de telas na primeira infância. O estudo revela que 69% das crianças de baixa renda são expostas a um tempo excessivo de tela. Essa situação é agravada pelo fato de que, quanto menor a renda, maior a tendência de as telas substituírem interações essenciais como o convívio social e o brincar.

A professora Maria Beatriz Linhares, da Universidade de São Paulo, alerta que o excesso de tempo diante das telas é uma evidência do contexto de sobrecarga e falta de apoio para as famílias. Ela ressalta que o desenvolvimento infantil depende de interação humana, brincadeiras e presença física, fundamentais para construção de vínculos afetivos e desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais.

Quais os impactos no cérebro infantil?

A utilização intensa de mídias digitais na primeira infância pode ter consequências severas, incluindo alterações anatômicas no cérebro, como destaca o recente material divulgado pelo NCPI. Essas alterações podem comprometer funções vitais como atenção, reconhecimento de letras e cognição social.

A professora Maria Thereza Souza da USP destaca que a qualidade do conteúdo, juntamente ao uso excessivo, afeta áreas cerebrais relacionadas à linguagem e controle de emoções. Além disso, conteúdos inadequados podem prejudicar o desenvolvimento e crianças expostas a desenhos animados podem vivenciar problemas de atenção.

Riscos adicionais, como a exposição a conteúdos violentos, mitigam ainda mais a saúde mental infantil, promovendo comportamento agressivo e aceitação da violência.

Como lidar com o uso de telas na infância?

A necessidade de políticas públicas eficazes é evidente, como sublinha o NCPI. Estas devem integrar áreas como saúde, educação e proteção de direitos. Iniciativas recomendadas incluem sensibilização para o uso responsável da tecnologia, formação de educadores e proteção contra conteúdos inadequados.

Também é vital que as famílias recebam apoio, que espaços para brincadeiras sejam garantidos e que haja promoção da educação digital desde cedo, incentivando um crescimento equilibrado.

Acesso à internet na primeira infância mais do que dobrou desde 2015
Alunos brincam no recreio em escola no DF sem o uso de celulares. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O papel de pais e cuidadores é primordial, e práticas recomendadas incluem:

  • Estabelecer limites de tempo adequados à faixa etária;
  • Avoidar telas antes do sono e durante refeições;
  • Estimular brincadeiras sem o uso de tecnologia;
  • Acompanhar e selecionar conteúdos apropriados,
  • Criar áreas livres de tela em casa;
  • Pais devem exemplificar uso consciente das tecnologias.

Informações deste teor também são suportadas por pesquisas nacionais e internacionais, incluindo diretrizes da OMS e Sociedade Brasileira de Pediatria, que destacam os efeitos adversos do uso de telas no desenvolvimento infantil.



Com informações da Agência Brasil

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