Na noite de ontem, a Praia Vermelha, na zona sul do Rio de Janeiro, foi o cenário de um ritual especial em devoção a Iemanjá, a orixá das águas nas religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda. A primeira a chegar foi Ana Beatriz de Oliveira, 23 anos, determinada a participar do culto na véspera do réveillon. Com rosas amarelas em mãos, Ana se preparava para agradecer à entidade.
“Eu fui comprar rosa branca, mas não tinha. Só tinha palma branca, só que estava murcha”, explicou Ana, cujo desejo era oferecer a flor característica das reverências a Iemanjá. A oferenda, no entanto, veio acompanhada de uma gratidão profunda pelo ano que passou.
O que leva Ana Beatriz a homenagear Iemanjá?
As rosas amarelas eram um presente de gratidão à orixá. Ana expressou que parte do agradecimento era por ter conseguido se formar em arquitetura, um feito que considerou muito desafiador. Recém-formada, ela já está empregada no escritório onde estagiou, uma conquista que atribui à proteção de Iemanjá.
“Eu vim agradecer pelo ano. Vim agradecer por eu ter conseguido me formar [em arquitetura], porque foi muito difícil”, disse emocionada.
Quais são os pedidos de Washington para 2026?
Washington Bueno, 58 anos, cabeleireiro e maquiador, trouxe consigo viçosas palmas brancas, desejando trabalho, saúde e amor, mas destacando um pedido especial: menos violência de gênero. Ele refletiu sobre a necessidade de mais respeito e conscientização no Brasil, especialmente após um ano marcado por agressões.
“Nós brasileiros estamos um pouco em conflito. Há questões de [falta de] respeito ao próximo, né? Tivemos este ano de 2025 com tantas agressões às mulheres”, relatou ele, pedindo por um ano com mais gentileza.
Como as oferendas são feitas e por quem?
Na Praia Vermelha, as flores podiam ser deixadas em um barco azul e branco, com cerca de dois metros, que tinha a imagem de Iemanjá. Outras oferendas comuns incluíam cartas, perfumes e champanhe. Esse evento foi o quinto na última semana do ano em devoção a Iemanjá, com suporte da Prefeitura do Rio de Janeiro.
A religião afro-brasileira tem espaço igualitário nas festividades?
Apesar do apoio logístico da prefeitura, lideranças religiosas percebem um tratamento desigual. O babalawô Ivanir dos Santos questionou o patrocínio de um palco gospel exclusivo para música evangélica em Copacabana, destacando a ausência de espaço para músicas dos terreiros.
"Por que esse privilégio?", questiona Santos, ressaltando que todos os credos produzem música religiosa.
Em resposta às críticas, o prefeito Eduardo Paes salientou a importância do evento gospel e mencionou o convívio pacífico entre diferentes práticas religiosas como parte do sincretismo brasileiro.
"Esse público não vinha para Copacabana e agora vai vir, vai conviver com pessoas fazendo oferendas a Iemanjá. Isso é o sincretismo religioso do Brasil e da nossa cidade.”
Com informações da Agência Brasil