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BRASIL

Maior parte da costa fluminense é vulnerável às mudanças climáticas

Você sabia que cerca de 60% da zona costeira do estado do Rio de Janeiro enfrenta níveis elevados de vulnerabilidade às mudanças climáticas? Essa é a constatação de um estudo realizado pelo programa de Pós-Graduação em Dinâmicas dos Oceanos e da Terra, da

09/01/2026

09/01/2026

Você sabia que cerca de 60% da zona costeira do estado do Rio de Janeiro enfrenta níveis elevados de vulnerabilidade às mudanças climáticas? Essa é a constatação de um estudo realizado pelo programa de Pós-Graduação em Dinâmicas dos Oceanos e da Terra, da Universidade Federal Fluminense (UFF), liderado pelo doutorando Igor Henud e o professor Abílio Soares.

O artigo, publicado na respeitada Internacional Journal of Disaster Risk Reduction, traz alertas importantes sobre o futuro dessas regiões. Baseando-se em variáveis como meio ambiente e aspectos socioeconômicos, o estudo revelou uma preocupação crescente: a destruição dos ecossistemas costeiros, que deixa áreas vulneráveis a erosões e inundações. A questão é ainda mais significativa diante de fenômenos naturais, como tempestades e ondulações marítimas.

Como os ecossistemas podem proteger a costa?

À medida que as mudanças climáticas se intensificam, a zona costeira tende a se tornar ainda mais suscetível a eventos extremos. Segundo Igor Henud, os ecossistemas desempenham um papel crucial na proteção dessas áreas. Boa parte das praias, até do Brasil, tinham uma faixa de areia muito maior. Essa faixa de areia [...] continua sendo um habitat natural [...] freando essa força, explica ele. Quando essa barreira natural é removida para obras ou construções, a população fica exposta a potenciais desastres.

Qual a situação crítica nas regiões norte e Baixada Fluminense?

A situação é mais preocupante na região norte do estado e na Baixada Fluminense. Fatores como o relevo e as correntes marítimas contribuem para o risco crescente. Henud destaca a importância de conservar as vegetações costeiras, fundamentais para a defesa contra a força das ondas. Se uma área já conhecida como vulnerável perde sua vegetação protetora, o cenário tende a piorar.

Quais soluções baseadas na natureza podem ser aplicadas?

Com 1.160 quilômetros de extensão, a zona costeira do Rio abriga mais de 80% da população estadual e tem peso significativo na economia. Os pesquisadores defendem as chamadas soluções baseadas na natureza, que incluem a restauração de vegetações originais e a ampliação de áreas de preservação. Esses métodos visam proteger a população e minimizar os impactos das mudanças climáticas.

Igor Henud salienta, por exemplo, o papel dos manguezais: Se vem uma onda e ela encontra essa barreira [...] vai perder a força [...] gerando uma proteção. Além disso, os mangues são berçários para diversas espécies, oferecendo não só benefícios ambientais, mas também sociais e econômicos para a população local.

Como a especificidade regional pode influenciar a adoção de medidas?

Henud enfatiza que as medidas devem ser adotadas conforme a especificidade de cada região: regiões que possuem vegetação [...] precisam ser preservadas; [...] onde a vegetação não está sendo ocupada, [...] restauração pontual. Mesmo intervenções localizadas podem reduzir significativamente os riscos para a população.

O que a especulação imobiliária tem a ver com isso?

A urbanização desenfreada e empreendimentos, como resorts, podem gerar migrações temporárias de trabalhadores e mudanças econômicas. Sem planejamento social e econômico a longo prazo, essas populações podem ocupar áreas anteriormente dominadas pela vegetação, agravando a situação vulnerável da costa.

Portanto, segundo o artigo, é fundamental um mapeamento adequado das regiões para a criação de políticas públicas focadas na proteção ecológica e social, assegurando um desenvolvimento sustentável e equilibrado.

*Sob supervisão de Fábio Cardoso



Com informações da Agência Brasil

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