Nos últimos anos, o número de pessoas vivendo em situação de rua no Brasil tem crescido de forma alarmante. De acordo com o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, só no final de 2024, já eram 365.822 pessoas enfrentando essa dura realidade. Mas qual é o perfil geográfico dessa população? Como o governo está reagindo a essa situação?
O relatório divulgado revela que cerca de 61% dessas pessoas estão concentradas no Sudeste, o equivalente a 222.311 indivíduos. São Paulo se destaca com 150.958 pessoas nessa condição, seguido por grandes capitais como Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Diante desse cenário, fica o questionamento: quais são as causas por trás desse aumento e o que realmente está sendo feito para mudar essa realidade?
O que explica o aumento da população de rua?
A análise dos pesquisadores aponta para quatro principais fatores que contribuem para o crescimento dessa população vulnerável:
- Fortalecimento do Cadastro Único: Este é o registro principal para acesso a políticas públicas sociais no país, o que ajuda a mapear melhor quem vive nas ruas.
- Ausência de políticas públicas estruturantes: Falhas em programas de moradia, trabalho e educação dificultam a reintegração dessas pessoas na sociedade.
- Precarização pós-pandemia: A pandemia da Covid-19 intensificou as condições já difíceis de vida para muitos brasileiros.
- Emergências climáticas e deslocamentos forçados: A América Latina vem enfrentando tais desafios, agravando a situação social.
Por que São Paulo concentra tantas pessoas em situação de rua?
São Paulo, por ser um grande centro econômico, atrai pessoas que buscam melhores oportunidades. No entanto, muitos acabam não encontrando emprego devido à falta de qualificação e o alto custo de vida. Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua, explica que, apesar de avanços em políticas de combate à fome, a insegurança alimentar ainda é um desafio. "Como é que uma pessoa vai conseguir pagar aluguel, água, luz, alimentação e medicamentos com um ou dois salários mínimos? Ela não tem condições", ressalta Mendonça, evidenciando a disparidade entre renda e custo de vida.
Avanço tecnológico: aliado ou vilão na busca por emprego?
Segundo Mendonça, o avanço tecnológico tem sido uma barreira para quem procura emprego, já que muitos não têm acesso à formação ou reciclagem profissional adequada. "As pessoas não passam por uma reciclagem para se aperfeiçoarem na questão do trabalho", diz ele, destacando a importância de programas que preparem profissionalmente a população em situação de rua.
Quais soluções estão em vista?
Algumas ações estão sendo implementadas para mitigar a situação. A Secretaria de Desenvolvimento Social do estado de São Paulo anunciou investimentos na ordem de R$ 633 milhões para programas de assistência, como o Bom Prato e o Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial. No entanto, Mendonça defende mais empenho em capacitação e enfrentamento ao preconceito. "É preciso tratar a população de rua como cidadãos desempregados, oferecendo chances de reingresso no mercado de trabalho", aponta ele.
Enquanto diversas iniciativas são debatidas e implementadas, a questão central permanece: será que essas medidas são suficientes para garantir uma mudança significativa e duradoura na vida dessas pessoas?
Com informações da Agência Brasil