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BRASIL

Ativistas denunciam 'blackface' em fantasias de carnaval

O termo "blackface de cabelo" tem repercutido nas redes sociais, especialmente pela página Samba Abstrato, conhecida por abordar questões incendiárias sobre o racismo no carnaval. Essa expressão se refere ao uso inadequado de perucas ou penteados afro por

18/01/2026

18/01/2026

O termo "blackface de cabelo" tem repercutido nas redes sociais, especialmente pela página Samba Abstrato, conhecida por abordar questões incendiárias sobre o racismo no carnaval. Essa expressão se refere ao uso inadequado de perucas ou penteados afro por foliões brancos, uma prática que reverbera a mesma insensibilidade das fantasias de "nega maluca" e "indígena". Os ativistas argumentam que essa apropriação ridiculariza identidades raciais e perpetua estereótipos. Mas por que essa questão é tão importante e como tudo isso impacta o carnaval?

Com um tom mordaz e satírico, a Samba Abstrato expõe o racismo intrínseco no embranquecimento da festa carnavalesca. Apesar do samba reverenciar a cultura negra, a escolha de mulheres brancas como passistas, mesmo sem noção de samba ─ ou como eles dizem, com "samba na ponta do braço" ─ exemplifica um desfavorecimento estrutural. Eis a questão: por que, em algumas situações, essas escolhas são acompanhadas de simulacros de cabelos cacheados ou crespos?

Por que o conceito de "blackface de cabelo" é racista?

A prática do blackface tem origem nos Estados Unidos, onde atores brancos estereotipavam pessoas negras no palco, usando graxa ou carvão para pintar a pele. No entanto, quando falamos de "blackface de cabelo", a polêmica se concentra no uso depreciativo dos cabelos afro por indivíduos que não partilham ou valorizam essa identidade cultural. Apesar dos avanços, o cabelo afro ainda sofre estigmatização, frequentemente tachado de "ruim" ou "feio".

Ativistas denunciam 'blackface' em fantasias de carnaval

Qual é o impacto do embranquecimento do carnaval e das escolhas das passistas?

A Samba Abstrato e especialistas como Juarez Tadeu de Paula Xavier, professor de jornalismo na Unesp, apontam para um "aniquilamento social e cultural" da população negra. Este processo, conforme Xavier, busca apagar a presença e a contribuição negra dos carnavais, firmadas há muito tempo nas comunidades e nas escolas de samba. Como as escolas de samba, criadas por negros e pardos, refletem um espaço de sobrevivência coletiva, elas mostram o contraste entre a resistência e a exclusão histórica dos negros do cenário econômico e cultural.

Como combater o racismo durante o carnaval?

O Ministério da Igualdade Racial (MIR) lançou a campanha "Sem Racismo, o Carnaval Brilha Mais", que visa não só coibir práticas racistas, mas educar sobre temas como injúria racial e fantasias ofensivas. Material educativo será distribuído em várias festas de carnaval.

Ativistas denunciam 'blackface' em fantasias de carnaval

Como denunciar práticas racistas no carnaval?

É vital que as vítimas denunciem práticas racistas. Utilizar o Disque 100, a Ouvidoria do MIR ou registrar um boletim de ocorrência são formas de ação recomendadas. Essas iniciativas não só asseguram que os casos sejam documentados, mas também que se tomem medidas legais contra os ofensores. "É necessário tipificar, processar, para que as pessoas respondam pela sua ação", explica o professor Xavier.



Com informações da Agência Brasil

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