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BRASIL

Menos de 30% dos agentes culturais conseguem sobreviver da atividade

Você sabia que a economia do patrimônio cultural no Brasil carrega uma carga de desigualdades? Uma pesquisa inédita do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com o Observatório da Economia Criativa da Bahia, está traze

19/01/2026

19/01/2026

Você sabia que a economia do patrimônio cultural no Brasil carrega uma carga de desigualdades? Uma pesquisa inédita do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com o Observatório da Economia Criativa da Bahia, está trazendo à tona dados interessantes sobre esse cenário. Analisando inicialmente seis bens culturais, distribuídos entre patrimônios materiais e imateriais, os números revelam um panorama que vale a pena entender mais a fundo.

Imagine dedicar mais de 40 horas semanais ao patrimônio cultural e ainda assim não conseguir viver só disso. Pois é, 46% dos agentes culturais vivem essa realidade, mas apenas 27% conseguem se sustentar exclusivamente dessa atividade. No entanto, há quase um consenso entre eles: a dedicação exclusiva poderia fazer maravilhas pela preservação dos bens culturais. Curioso para saber como esses desafios impactam o futuro do nosso patrimônio?

Como a economia criativa impacta o patrimônio cultural?

Clara Marques, coordenadora-geral de Fomento e Economia do Patrimônio do Iphan, nos lembra do peso desse setor, que representa 3% do Produto Interno Bruto do Brasil. A pesquisa tem uma missão ambiciosa: inspirar políticas públicas eficientes. Segundo os dados, 64% dos entrevistados apontam a insuficiência econômica como a maior ameaça ao patrimônio cultural. O que se espera do Estado? Ações que estimulem a geração de renda, criação de editais e, por que não, aposentadoria para quem se dedica a preservar nossa cultura. Tudo isso pode alterar o curso de atuação dos governos na proteção do patrimônio cultural brasileiro.

"Nosso maior objetivo com esse estudo é subsidiar políticas públicas", comenta Clara. Ela aponta as mudanças necessárias para garantir a continuação do nosso patrimônio cultural para as próximas gerações.

Menos de 30% dos agentes culturais conseguem sobreviver da atividade
Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, por Márcio Filho / MTUR

Quais são os incentivos para se manter no patrimônio cultural?

Se você pensa que políticas públicas alcançam todo mundo, pense novamente. Seis em cada dez agentes culturais nunca tiveram acesso a benefícios fiscais. Mesmo assim, a paixão pela cultura e o reconhecimento comunitário mantêm viva a causa. Impressionante, né? Sete em cada dez desses agentes dedicam-se ao patrimônio cultural há mais de uma década e, sem modéstia, 80% se consideram líderes influentes em seus territórios.

Quando se fala em arrecadar dinheiro com cultura, o que destaca são apresentações culturais e oferta de aulas e oficinas. No entanto, os custos altos com materiais, equipamentos e manutenção são desafiadores, especialmente quando se junta a isso a falta de capital de giro e o pesado fardo burocrático.

Menos de 30% dos agentes culturais conseguem sobreviver da atividade
Ruas com casarios tombados pelo IPHAN no centro histórico de São Luís, cidade Patrimônio da Humanidade pela Unesco - Tomaz Silva/Agência Brasil

Os dados preliminares do Iphan giram em torno de seis patrimônios culturais: o Centro Histórico de Salvador e o Samba de Roda, na Bahia; o Centro Histórico de São Luís e o Complexo Cultural do Bumba-meu-Boi, no Maranhão; o Círio de Nazaré, no Pará; e a Praça São Francisco em São Cristóvão, em Sergipe.

Esses números são apenas a ponta do iceberg. Ao final, a pesquisa pretende nos dar uma visão mais ampla de 12 bens reconhecidos mundialmente pela Unesco. Não é instigante pensar em todas as histórias que os números ainda não contaram?



Com informações da Agência Brasil

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