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BRASIL

Mais do que intolerância, racismo religioso é violência contra a fé

Imagine ser repreendido por mencionar uma simbologia cultural em um trabalho escolar. Foi exatamente isso que aconteceu com Pérola Magalhães no primeiro ano do ensino médio. Ao tentar incluir a menção de Oxóssi, um orixá, num projeto sobre danças populare

21/01/2026

21/01/2026

Imagine ser repreendido por mencionar uma simbologia cultural em um trabalho escolar. Foi exatamente isso que aconteceu com Pérola Magalhães no primeiro ano do ensino médio. Ao tentar incluir a menção de Oxóssi, um orixá, num projeto sobre danças populares, ela foi alertada de que qualquer referência a religiões de matriz africana seria inapropriada. Se você acha essa situação absurda, saiba que Pérola não está sozinha. De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, mais de 8 mil violações por intolerância religiosa ocorreram entre 2024 e 2025 no Brasil, afetando majoritariamente praticantes de religiões de matriz africana.

Esses dados acendem um alerta sobre a gravidade da questão no Brasil, destacada especialmente durante o Dia Nacional do Combate à Intolerância Religiosa, em 21 de janeiro. Essa data não foi escolhida por acaso; ela marca o falecimento de Mãe Gilda, uma importante figura no cenário religioso afro-brasileiro, que sofreu ataques por praticar sua fé, culminando em sua morte em 2000.

Qual é o cenário atual das violências contra religiões de matriz africana no Brasil?

Um estudo recente do grupo Ginga UFF da Universidade Federal Fluminense revelou, de forma chocante, que desde 1996, 95 lideranças religiosas foram mortas, sendo 45 de forma violenta. Além disso, 699 violações a terreiros e símbolos afro-brasileiros ocorreram nos últimos quase 30 anos. Os estados mais afetados são Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo.

Por que o termo intolerância religiosa não é suficiente?

Ana Paula Miranda, pesquisadora do Ginga UFF, defende que a expressão "intolerância" subestima a gravidade dos ataques, que podem ser melhor descritos como "racismo religioso". Ela explica que não se trata de mera discordância, mas de um esforço contínuo para eliminar tradições religiosas, o que coloca em risco não só indivíduos, mas toda uma herança cultural.

Como a mídia impactou a atenção ao problema?

Foi apenas na última década que a mídia começou a dar mais atenção a esse tipo de agressão. Em 2017, vídeos virais de lideranças religiosas sendo forçadas a destruir seus próprios artefatos finalmente empurraram a questão para o centro das atenções midiáticas e sociais.

Qual é o papel das políticas públicas na proteção dessas religiões?

Os dados alarmantes apontados pelas pesquisas são cruciais para embasar políticas públicas eficazes. A luta vai além da simples liberdade de crença; trata-se de garantir o direito à existência e diversidade religiosa no Brasil. Criar estratégias de proteção é fundamental para prevenir novos ataques e garantir que tradições preciosas, como a de Mãe Gilda, possam prosperar sem medo de repressão.



Com informações da Agência Brasil

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