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BRASIL

"Tragédia anunciada", diz mãe de vítimas sobre barragem de Brumadinho

Em meio ao asfalto da famosa Avenida Paulista, em São Paulo, um grupo de crianças se reúne no chão. Com mãos pequenas e cheias de vida, moldam argila, criando vasinhos que logo abrigarão sementes e plantinhas. Esse simples ato carrega um profundo simbolis

25/01/2026

25/01/2026

Em meio ao asfalto da famosa Avenida Paulista, em São Paulo, um grupo de crianças se reúne no chão. Com mãos pequenas e cheias de vida, moldam argila, criando vasinhos que logo abrigarão sementes e plantinhas. Esse simples ato carrega um profundo simbolismo, destinado a lembrar uma das piores tragédias do Brasil, o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, que ceifou 272 vidas sete anos atrás. As crianças, com o barro entre os dedos, tornam-se portadoras dessa memória e da esperança de um futuro mais seguro.

O Instituto Camila e Luiz Taliberti, criado em homenagem aos filhos de Helena Taliberti, promoveu o evento sob o olhar atento de quem perdeu muito naquele fatídico dia. Camila e Luiz estavam entre os hóspedes da Pousada Nova Estância, engolida pelos rejeitos da barragem. O momento pretendia não apenas homenagear as vidas perdidas, mas também clamar por justiça e chamar a atenção para a proteção do ambiente.

Como o ato simbólico na Avenida Paulista busca justiça para Brumadinho?

Nesta homenagem, a figura de Helena Taliberti se destaca não só por sua dor pessoal, mas pela sua determinação em evitar que novas tragédias ocorram. Helena perdeu não apenas seus filhos, mas também sua nora grávida de cinco meses. E com lágrimas nos olhos, durante entrevista à Agência Brasil, ela compartilha: "As crianças são o nosso futuro. Estou um pouco emocionada porque não vou ter netos mais, mas tenho a obrigação de zelar pelo futuro dessas gerações."

"Tragédia anunciada", diz mãe de vítimas sobre barragem de Brumadinho

A ativista destaca o papel crucial da educação ambiental e da preservação dos biomas para as futuras gerações. Enfatiza que São Paulo, cercada pela Mata Atlântica, carece de áreas verdes suficientes para garantir qualidade de vida para seus habitantes.

Quais foram as ações promovidas durante o ato?

Além da oficina de argila, às 12h28, uma sirene ressoou pela Avenida Paulista, relembrando o horário em que tudo começou em Brumadinho, quando a sirene de alerta não tocou. "Pelas investigações, soube-se que a empresa sabia dos problemas na barragem. Se a sirene tivesse tocado, vidas teriam sido salvas", ressalta Helena.

"Tragédia anunciada", diz mãe de vítimas sobre barragem de Brumadinho

Por que é importante lembrar Mariana na luta por justiça?

"A solenidade na Avenida Paulista não é apenas uma homenagem, mas um lembrete urgente. Mulheres como Helena lembram que antes de Brumadinho houve Mariana, a "verdadeira sirene" que ninguém ouviu. Precisamos garantir que tragédias como essas não se repitam", afirma.

"Tragédia anunciada", diz mãe de vítimas sobre barragem de Brumadinho

Quem são os responsáveis e onde está a justiça?

Passados os anos, a dor de Brumadinho se mistura à irritação com a lentidão da justiça. Como aponta Helena, o processo reuniu 15 réus que ainda esperam julgamento. "A reparação não aconteceu, e a justiça não foi feita. A falta de punição abre a porta para novas tragédias e, por isso, não podemos deixar que isso aconteça de novo", completa.



Com informações da Agência Brasil

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