Em julho de 2025, o Brasil conseguiu sair, pela segunda vez, do Mapa da Fome da ONU. E o que está por trás dessa conquista? Políticas sociais robustas, como o Bolsa Família e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), desempenharam um papel crucial. Mas não parou por aí. Apoiando a agricultura familiar, investindo em capacitação tecnológica e disponibilizando crédito para pequenos e médios produtores, o país colheu os frutos de anos de esforços contínuos. Rene Orellana, representante regional da FAO para a América Latina e Caribe, afirma que essas medidas fortalecem a segurança alimentar e criam um sistema agrícola mais sustentável.
A importância de políticas integradas e holísticas foi destacada por Rene Orellana durante o Fórum de Juventudes para a Transformação dos Sistemas Agroalimentares que aconteceu em Brasília. Ali, jovens de toda a América Latina e Caribe se reuniram para discutir o futuro da segurança alimentar da região. Orellana ressaltou que as políticas brasileiras estimulam o mercado e promovem alianças produtivas entre grandes, médios e pequenos produtores — um exemplo notável de complemento e cooperação.
O futuro nas mãos das juventudes: qual o papel deles?
Durante o evento, foi discutido que a juventude, com suas experiências ricas e diversas, pode trazer propostas inovadoras. Este grupo visa criar um documento que reflita suas preocupações e demandas, ecoando em futuras discussões na conferência regional marcada para março. "Esperamos que o conhecimento desses jovens ilumine os documentos oficiais", disse Orellana, reconhecendo a importância de incluir as vozes jovens nos debates sobre segurança alimentar.
Como a tecnologia social pode transformar a vida no campo?
A Secretária Nacional de Juventude, Vitória Genuino, argumenta que soluções desenvolvidas pelas juventudes nos territórios devem ser exemplo para ações governamentais. Assistência técnica e inovações tecnológicas podem, de fato, combater a fome e garantir segurança alimentar. Genuino defende que as práticas da sociedade civil sejam inspiração para políticas públicas eficazes.
"Podemos enfrentar problemas com a tecnologia social existente. Essa troca é crucial para políticas públicas inspiradas no que a sociedade já faz."
Quais os desafios e como superá-los?
O fórum também serviu para destacar as barreiras enfrentadas pelos jovens na exploração agrária. Acentuaram-se questões como acesso limitado a recursos, trabalho precário e falta de financiamento. Eduardo Peralta, do Equador, vê a educação e a conscientização sobre o cuidado ambiental, como caminho para fortalecer a soberania alimentar e enfrentar a crise climática. "Cuidar da Pachamama é essencial", pontua ele.
Desafios como o êxodo rural são enfrentados com soluções tecnológicas e inovadoras, fundamentais para manter os jovens engajados no campo. Jorge Meza, representante da FAO no Brasil, reforça que o Estado deve criar oportunidades para que essas novas gerações vejam o viver no campo como uma escolha viável e atrativa.
Primeiros passos para o futuro: o que vem por aí?
As consultas feitas durante o fórum são apenas uma parte de uma série de encontros amplos que visam ouvir diversos setores, incluindo agricultores familiares e povos indígenas. A meta é criar uma coerência regional em temas cruciais como segurança alimentar, finalizando com uma declaração conjunta que guiará as ações futuras na Conferência Regional da FAO.
Por fim, a FAO reafirma seu compromisso em erradicar a fome e promover a agricultura sustentável. Discussões realizadas durante a conferência orientarão os trabalhos do próximo biênio, com foco na segurança alimentar e no alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030.
Com informações da Agência Brasil