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BRASIL

Luto e fome: viúva tenta se reerguer após operação mais letal do Rio

Algumas histórias conseguem captar a essência de uma tragédia de forma tão visceral que causam um impacto mundial. A imagem de Fernanda da Silva Martins, retratada enquanto fechava os olhos do cadáver de seu marido, durante a operação policial mais letal

29/01/2026

29/01/2026

Algumas histórias conseguem captar a essência de uma tragédia de forma tão visceral que causam um impacto mundial. A imagem de Fernanda da Silva Martins, retratada enquanto fechava os olhos do cadáver de seu marido, durante a operação policial mais letal do Rio de Janeiro, é uma dessas histórias. Aos 35 anos, Fernanda teve sua dor estampada em jornais e sites ao redor do globo, simbolizando a devastação pessoal em meio a um conflito que deixou 122 mortos, entre eles cinco policiais, em outubro de 2025.

Realizada para coibir a ação do Comando Vermelho, a Operação Contenção se desdobrou por territórios densamente povoados do Rio e resultou em acusações de execução extrajudicial tanto por ativistas quanto por familiares das vítimas. Enquanto isso, as autoridades defendem que a força aplicada foi uma resposta a ataques armados.

Quem é Fernanda da Silva Martins?

Fernanda é mãe de quatro filhos e reside no Complexo do Alemão. Desde a morte do marido, ela luta para superar a dor e se manter de pé. Seu retrato circulou o mundo, simbolizando seu luto e a realidade violenta que a cerca. Sua vida sofreu um abalo irreversível com a morte do marido, ocorrida em uma operação policial. Fernanda, que desde então batalha contra a depressão e a crise financeira, encontra força nos seus filhos.

Luto e fome: viúva tenta se reerguer após operação mais letal do Rio
Fernanda da Silva Martins durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Como a vida financeira de Fernanda foi afetada?

Fernanda enfrentou graves dificuldades financeiras desde a morte do marido, que era membro de uma facção criminosa. Sem ele, que sustentava a casa, a família passou a depender do Bolsa Família, mas os recursos são insuficientes. Fernanda nunca teve trabalho formal e seu histórico educacional é limitado, com apenas sete anos de estudo. Ela relata que já exerceu várias ocupações, mas agora se vê incapacitada de encarar o mundo fora do luto e das responsabilidades parentais. A ausência da merenda escolar durante as férias aumenta ainda mais o fardo financeiro.

Fernanda descreve o desafio diário de prover alimentos para seus filhos, ilustrando a angústia de uma mãe que vê seu filho, Ivan, questionando sobre a impossibilidade de uma simples ida à praia, simbolizando a dura realidade de sua situação atual.

Luto e fome: viúva tenta se reerguer após operação mais letal do Rio
Dezenas de corpos na Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

Quais são os sonhos e desafios futuros de Fernanda?

Apesar das dificuldades enfrentadas, Fernanda nutre o sonho de sair do Complexo do Alemão e proporcionar uma vida melhor para seus filhos. Ela imagina montar um pequeno salão, onde possa trabalhar com manicure e pedicure, uma habilidade que ela já possui. Com diplomas em cursos de beleza, ela só precisa de uma oportunidade para colocar tudo em ação.

Além disso, ela procura oferecer aos filhos um futuro melhor do que o que teve, longe da violência e da incerteza que marcaram sua própria vida.

Luto e fome: viúva tenta se reerguer após operação mais letal do Rio
O aposentado, Jocimar Martins e sua filha, Fernanda da Silva Martins, durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Ao lado dos pais, que a apoiam como podem, Fernanda tenta encontrar forças para continuar e sonhar com mudanças no horizonte. Sua história é um lembrete poderoso das cicatrizes deixadas por conflitos urbanos e a coragem silenciosa de construir um novo começo.



Com informações da Agência Brasil

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