No mundo corporativo, a palavra diversidade ganha cada vez mais destaque. No entanto, a realidade de muitos ainda é de exclusão, especialmente quando falamos da população trans. A marginalização começa cedo, geralmente ainda no ambiente escolar, como apontam dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Na Bahia, por exemplo, a situação é alarmante: oito em cada dez pessoas trans estão fora do mercado de trabalho formal. Isso obriga muitas a buscarem alternativas no empreendedorismo ou subempregos.
Mas o que está sendo feito para mudar esse cenário? O Ministério Público do Trabalho, percebendo essa dura realidade, decidiu atuar de forma incisiva, com projetos direcionados para transformar essa história. Estes não só mudam a cultura dentro das empresas, mas também capacitam aqueles que foram deixados de lado devido ao preconceito.
Como o Ministério Público do Trabalho está fazendo a diferença?
Carolina Novais, procuradora e representante da Coordigualdade, explica que a iniciativa não está sozinha. "O Ministério Público do Trabalho tem projetos como o Empregabilidade LGBTQIAPN+, em parceria com outras entidades e o setor privado, focando na inclusão desse público no mercado formal de trabalho. Estudos mostram que apenas 0,38% das pessoas trans exercem funções formais, levando muitas à prostituição devido à falta de oportunidades", afirma Carolina.
Quais são as estratégias para capacitação?
Capacitar para transformar. É assim que iniciativas como o "Além do Arco-Íris" fazem a diferença. Em colaboração com a Secretaria do Trabalho da Bahia, este programa está desenhado para qualificar pessoas desse público e, surpreendentemente, 60% das vagas são destinadas a trans. "A classe inaugural já se formou, capacitando seus participantes para diversas áreas, incluindo o turismo em Salvador", destaca a procuradora.
O que o futuro reserva para as cotas no mercado de trabalho?
Embora a Bahia avance em alguns setores, como na aplicação pioneira de cotas para trans no ensino superior, o mercado formal ainda precisa acompanhar esse progresso. No entanto, segundo Carolina, a inclusão de cotas para trans nos contratos de trabalho é o próximo passo. "Estamos negociando com o estado e o município para que essa inclusão ocorra nas terceirizações, seguindo exemplos de outros estados que já adotaram leis para cotas", menciona.
Com esses projetos, a Bahia está no caminho certo para garantir uma sociedade mais justa e igualitária, onde o trabalho digno e a inclusão social caminham lado a lado.
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Com informações da Agência Brasil