A recente decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro trouxe um pouco de alívio para Mônica Benício, viúva da vereadora Marielle Franco. Após muita luta por justiça, o tribunal condenou os executores do crime, Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, ao pagamento de indenização por danos morais e pensão mensal a Mônica Benício. Esta decisão vem quase sete anos após o assassinato de Marielle e seu motorista, Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018, em um ataque que chocou o país inteiro.
Nem tudo, porém, é sobre dinheiro. Como destacou Mônica em sua declaração, esta vitória tem um caráter profundamente simbólico, reconhecendo a interrupção abrupta de vidas promissoras e a necessidade urgente de responsabilização total pelos mandantes do crime. Mas, afinal, o que vem a seguir nessa longa busca por justiça?
Como foi determinado o valor da indenização?
O juízo determinou uma indenização de R$ 200 mil por danos morais, a serem pagos solidariamente por Lessa e Quieroz. Mais do que uma compensação financeira, esta decisão enfatiza a gravidade do crime e a dor que ele causou. Além disso, ficou estabelecida uma pensão correspondente a dois terços dos ganhos de Marielle, incluindo o 13º salário e férias com um terço a mais, da data do crime até que Marielle completasse 76 anos, ou até o falecimento de Mônica. Marielle tinha apenas 38 anos quando foi assassinada.
Como a justiça planeja lidar com os mandantes do crime?
As investigações apontaram para os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão como os mandantes do assassinato. Os irmãos teriam contratado matadores de aluguel sob a coordenação de Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro. O processo contra esses três corre no Supremo Tribunal Federal, com audiência marcada para 24 de fevereiro. Além deles, Ronald Alves de Paula e Robson Calixto, que também têm relação com o caso, estão detidos preventivamente.
Pergunta sem resposta: qual foi o verdadeiro motivo por trás do assassinato de Marielle?
Conforme relato do ex-policial Ronnie Lessa, em delação premiada, Rivaldo Barbosa e os irmãos Brazão estavam por trás do planejamento e execução do crime. As investigações da Polícia Federal indicam que o assassinato foi motivado pela postura política de Marielle, que se colocava firmemente contra interesses dos irmãos Brazão, principalmente em questões fundiárias ligadas a territórios controlados por milícias no Rio.
Na esteira dessas revelações, a demanda por verdade e justiça plena continua a ecoar nas ruas e no tribunal. Para muitos, este é um momento decisivo não apenas para o caso de Marielle, mas para a democracia brasileira como um todo.
Com informações da Agência Brasil