Quase metade das mulheres brasileiras já enfrentou alguma forma de assédio sexual durante o Carnaval, revela uma pesquisa recente do Instituto Locomotiva. Além disso, muitas delas vivem com o medo constante de passarem por essa experiência. Esses números preocupantes trazem à tona uma questão que, infelizmente, ainda persiste nas festividades carnavalescas, com 86% dos participantes da pesquisa concordando que o assédio ainda é uma realidade no Carnaval.
De acordo com Maíra Saruê, diretora de pesquisa do instituto, os dados refletem um problema que vai muito além da folia carnavalesca, afetando a liberdade e o direito ao lazer das mulheres em espaços públicos. Ela destaca: "Estamos falando do direito de ir e vir, do acesso à cidade, e do simples fato de querer ou não participar do Carnaval, mas poder fazê-lo sem medo é um direito essencial."
O que esse comportamento significa para as mulheres no Carnaval?
O assédio sexual impacta, de modo injusto, a maneira como as mulheres desfrutam da festa. Para se protegerem, muitas adotam estratégias individuais que acabam limitando seu aproveitamento, como andar em grupo, escolher rotas mais seguras e evitar certos horários. Em vez de se divertirem livremente, sentem-se obrigadas a planejar cada movimento.
Quais percepções aumentam o risco de assédio?
A pesquisa nacional, que entrevistou 1.503 brasileiros com mais de 18 anos, revelou percepções problemáticas em relação ao comportamento e vestimenta das mulheres. Muitos acreditam que participar do Carnaval sozinho significa querer encontrar alguém, ou que a roupa de uma mulher pode indicar intenções específicas. Essas visões frequentemente justificam a violência e afastam as mulheres da festa.
Qual é a opinião das pessoas sobre "roubar beijo" no Carnaval?
O levantamento também apontou que uma fração considerável dos entrevistados vêem como aceitável um homem "roubar" um beijo de uma mulher alcoolizada durante o Carnaval. Para Maíra, esse tipo de mentalidade não apenas perpetua justificações para o assédio como também impede que mulheres curtam a festa, temendo serem alvo desses pensamentos.
Contudo, um sinal positivo emergiu: uma vasta maioria, 86%, acredita que o combate a essas violências deve ser responsabilidade de todos. Campanhas de conscientização são vistas como cruciais, com 96% dos entrevistados reconhecendo sua importância. "Isso precisa ser uma responsabilidade coletiva", defende Maíra, reforçando que a mudança societal é necessária para que as relações durante o Carnaval mudem e se tornem mais respeitosas e seguras para todos.
Com informações da Agência Brasil