Imagina estar no meio da folia, no coração do Rio de Janeiro, e perceber que a alegria do carnaval também é palco para uma importante reflexão social. Esse ano, entre serpentinas e marchinhas, a conscientização contra a violência de gênero ganha destaque. Aumentos nos casos de crimes contra mulheres estão sob os holofotes, exigindo ação e atenção.
A Liberj (Liga Independente dos Blocos de Embalo do Estado do Rio de Janeiro) encara de frente essa questão urgente. A folia serve como plataforma de visibilidade e mobilização. Durante o carnaval, na segunda-feira (16), a partir das 18h, na Avenida Chile, no centro da cidade, ocorre um evento marcante: o Bloco da Não Violência Contra Mulher. Grupos como Banda da Folia e Confraria da Bebidinha se unirão para ressaltar mensagens de educação e divulgar canais de denúncia.
Qual é o papel do carnaval na luta contra a violência?
O grande objetivo é utilizar a alegria e visibilidade do carnaval para promover uma sociedade consciente e ativa contra a violência de gênero, que infelizmente pode aumentar durante esta época. O diretor da Liberj, Édson Baiga, destaca que essa luta precisa ser abrangente: “Essa luta não é só de uma entidade, é de uma sociedade, e, principalmente, dos homens que têm consciência que a mulher foi feita para ser respeitada. A mulher tem direito sobre o corpo dela." Dados alarmantes do Ministério da Justiça mostram um aumento nos casos de feminicídio ao longo dos anos, exigindo ainda mais urgência na conscientização.
Como é vista essa ação pelos foliões?
Muitas pessoas, como a economista Gabriela Szprinc, aplaudem a iniciativa, vendo-a como essencial para garantir a segurança e liberdade feminina em eventos tão significativos quanto o carnaval. "O feminicídio no Brasil ainda é assustador. Ainda é um desafio [para] nós, como mulheres, estarmos num lugar, poder brincar o carnaval, poder só estar lá. Ser feliz e participar do jeito que cada uma entende que quer fazer, do jeito que quiser. Ter a liberdade e ser respeitada," ressalta ela.
O que fazer em casos de violência durante o carnaval?
É fundamental que todos estejam atentos e preparados para agir. A mensagem que chega com força é — o carnaval deve ser celebrado com dignidade e respeito mútuo. E se você, ou alguém que você conheça, for vítima de violência, o que fazer? Disque 180. Este canal funciona 24 horas por dia e está pronto para ajudar.
* Sob supervisão de Vitória Elizabeth.
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Com informações da Agência Brasil