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BRASIL

Bloco de Brasília faz carnaval acessível para pessoas com deficiência

No carnaval, muitos eventos ainda apresentam barreiras que prejudicam a acessibilidade de pessoas com deficiência (PCD). A ausência de rampas, calçadas adequadas e piso tátil, além da insuficiência de transporte público adaptado e espaços destinados que o

16/02/2026

16/02/2026

No carnaval, muitos eventos ainda apresentam barreiras que prejudicam a acessibilidade de pessoas com deficiência (PCD). A ausência de rampas, calçadas adequadas e piso tátil, além da insuficiência de transporte público adaptado e espaços destinados que ofereçam visão privilegiada para cadeirantes, somados ao escasso número de intérpretes de Libras, são desafios recorrentes.

Pautada pela crença de que acessibilidade é um direito fundamental, há 14 anos, a historiadora Lurdinha Danezy Piantino criou, junto a pais e entidades de apoio a PCDs, o bloco de carnaval Deficiente é a mãe. A iniciativa combate o capacitismo, que subestima as capacidades das pessoas com deficiência, tratando-as injustamente como inferiores.

“A pessoa com deficiência tem que ocupar todos os espaços: sociais e culturais. E o momento cultural mais importante do ano é o carnaval. Então, a pessoa com deficiência tem que estar junto.”

Bloco de Brasília faz carnaval acessível para pessoas com deficiência
Drag Queen Ursula Up no Bloco de carnaval Deficiente é a mãe, na torre de TV. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Quem faz o bloco acontecer?

Lurdinha é mãe de Lúcio Piantino, um artista versátil de 30 anos que vive como Úrsula Up, a primeira Drag Queen com síndrome de Down no Brasil. Além de ser uma voz ativa na causa LGBTQIA+, Lúcio atua também como ator, artista plástico, dançarino e palhaço. Apaixonado por carnaval desde pequeno, ele vê nos blocos uma forma essencial de inclusão e celebração para todos. “Sinto-me ótimo. É a vida, que é muito boa.”

Como vencer as barreiras da sociedade?

Nesta jornada contra a discriminação, Luiz Maurício Santos, cofundador do Deficiente é a mãe e cadeirante há 28 anos, participa ativamente da organização do bloco. Ele defronta os desafios impostos pela falta de recursos e pela burocracia, mas acredita que os benefícios superam as dificuldades.

Luiz enfatiza a importância de que mais pessoas com deficiência ocupem o espaço que lhes pertence, principalmente no carnaval: "Temos ainda a dificuldade de mobilizar o segmento. As pessoas ainda ficam um pouco receosas de participar, de sofrer alguma discriminação. Então, sempre tentamos mobilizar essa turma para que apareçam."

Celebrando a diversidade e a cultura popular

Figurinha carimbada nos encontros do bloco, Francisco Boing Marinucci, de 22 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), tem uma ligação especial com a música e as tradicionais marchinhas carnavalescas. Sua mãe, Raquel Boing Marinucci, ressalta a importância desse espaço inclusivo, onde ambos se sentem seguros: "Por meio do bloco, posso mostrar a Francisco que há um lugar para ele na sociedade."

Qual a realidade para as PCDs no Brasil?

Segundo o IBGE, há 18,6 milhões de brasileiros com alguma deficiência, representando 8,9% da população com 2 anos ou mais. A deficiência visual é a mais prevalente, afetando 3,1% das pessoas.

Bloco de Brasília faz carnaval acessível para pessoas com deficiência
O deficiente visual Thiago Vieira levou a cão-guia Nina. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por que eventos inclusivos são essenciais?

Thiago Vieira, auxiliar de biblioteca com baixa visão desde o nascimento, nunca perde um carnaval com seu fiel companheiro, a cão-guia Nina. Para ele, a inclusão em eventos é crucial: "No ano inteiro, a gente é bastante esquecido. Este bloco é um começo, me sinto seguro aqui. Quem sabe a sociedade se conscientiza para abrir mais lugares acessíveis para a gente?"

Quais são as perspectivas futuras?

Frequentador assíduo do bloco, o secretário escolar Carlos Augusto Lopes de Sousa conhece a importância de eventos inclusivos. Ele nutre um otimismo renovado pelas pesquisas da professora Tatiana Coelho de Sampaio da UFRJ, que podem representar um avanço revolucionário na medicina ao tratar lesões medulares com um novo medicamento.

"Ela é incrível! Heroína nacional", afirma Carlos, enquanto curte a folia. A expectativa é grande pela autorização da Anvisa para os próximos passos dos testes clínicos.



Com informações da Agência Brasil

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