Imagine-se sob o sol escaldante do Rio de Janeiro, durante o frenesi do carnaval, precisando de um refrescante gole gelado. É aí que entram em cena os incansáveis ambulantes, aqueles que se infiltram pelas multidões trazendo alívio em forma de bebidas. No entanto, por trás desse alívio para uns, revelam-se dificuldades imensas para esses trabalhadores.
Ser ambulante durante o carnaval do Rio é enfrentar condições precárias. São horas a fio sob um calor intenso, carregando pesados isopores e, muitas vezes, a única opção é levar seus filhos consigo devido à falta de escolas e cuidadores disponíveis. Essas são as histórias de resiliência de pessoas como Taís Aparecida Epifânio Lopes, de 34 anos, que viaja do Arará, na Zona Norte, até os blocos da Zona Sul com sua filha de apenas 4 anos.
Como esses ambulantes conciliam trabalho e filhos no carnaval?
Taís, por exemplo, explica que o carnaval é crucial para sua renda e que não pode deixar sua filha sozinha. "Carnaval é quando a gente consegue ganhar mais dinheiro... então, se eu não fizer isso, a gente não come, não bebe", desabafa.
Do outro lado da cidade, no centro, Lílian Conceição Santos passa pelo mesmo dilema. Com três filhos e sobrinhos a tira colo, ela se aventura todos os dias na esperança de ganhar o suficiente para as contas do mês.
Seu improvisado "quiosque" acolhe jovens distraídos por celulares enquanto Lílian vende biscoitos e bebidas, tudo isso ao som dos bueiros urbanos que improvisam banheiros.
Quais apoios os ambulantes recebem durante o carnaval?
Movimento de Mulheres Ambulantes Elas por Elas Providência busca melhorias para essas trabalhadoras essenciais. Com articulação junto ao Tribunal Regional do Trabalho, foi possível abrir espaço para crianças durante a noite. Neste local, os pequenos desfrutam de atividades, refeições e um descanso seguro.
Taís, que já utilizou as instalações, sentiu-se aliviada ao deixar sua filha em um local seguro e lúdico. "Minha filha gostou, eu também entrei e achei um espaço super bacana", conta.
Quais são os desafios enfrentados pelas mães ambulantes?
As mães lamentam a falta de incentivos e proteções básicas como guarda-sol e vestimentas adequadas. Essa identificação remete a questões mais amplas de invisibilidade dos trabalhadores informais no coração das celebrações cariocas.
Como a prefeitura responde a essa situação?
A Secretaria Municipal de Assistência Social alega que realiza ações de prevenção ao trabalho infantil, mas as críticas sobre equipamentos de proteção não foram respondidas. Em 2026, limitaram o credenciamento a 15 mil ambulantes, mesmo com uma demanda muito maior nas ruas.
Para Caroline Alves da Silva e seus colegas do Elas por Elas, o carnaval só será verdadeiramente justo quando reconhecer e apoiar quem realmente mantém a festa viva.
Neste debate, também ecoa a voz dos defensores dos direitos humanos, que destacam a necessidade urgente de ações mais efetivas de reconhecimento e suporte para trabalhadores que sustentam a base da cultura e economia carioca.
Com informações da Agência Brasil