No calor do carnaval carioca, um desfile no bloco Mulheres Rodadas chamou a atenção pelas ruas da zona Sul do Rio de Janeiro. A pernalta Luciana Peres, com uma fantasia que evocava ferimentos e resistência, personificava a luta de Maria da Penha Fernandes. A farmacêutica que, em 1983, sofreu tentativa de assassinato pelo ex-marido, acabou por dar nome à Lei Maria da Penha em 2006, uma lei crucial contra a violência doméstica no Brasil.
Luciana, simbolizando a história de Maria da Penha, destacou a importância de se lembrar do feminicídio e da proteção às mulheres. Com uma forte mensagem em seu traje, ela lembrou que em 2026 a Lei Maria da Penha completará 20 anos, lembrando também o triste recorde de feminicídios que o Brasil atingiu no ano anterior.
Como o Mulheres Rodadas usa a arte para protestar?
Desde 2015, o Mulheres Rodadas transforma seus desfiles em uma potente plataforma de discussão sobre temas como assédio, violência doméstica e o alarmante índice de feminicídios. Com fantasias criativas e performances impactantes, elas fazem ecoar a voz das mulheres. Uma dessas ações inclui a reprodução, através de acrobacias e tintas vermelhas, das agressões sofridas por muitas. As canções, meticulosamente escolhidas, incluem desde clássicos de Chiquinha Gonzaga a hits contemporâneos de Anitta e Pablo Vittar, sempre ressaltando a solidariedade e a força feminina.
Além do impacto local, o Brasil lidera ranking de violência contra pessoas trans, fato que também é abordado nas apresentações, reforçando a necessidade de combate à violência transfóbica.
Qual o papel dos homens na luta contra a violência?
Raul Santiago, um dos foliões do bloco, fez um chamado à ação ao abordar a responsabilidade masculina em combater o machismo. Ele defendeu que a mudança começa com uma postura ativista dos homens, abraçando a igualdade de gêneros e repensando seus papéis sociais.
A luta contra a violência feminina está ganhando força?
Renata Rodrigues, coordenadora do bloco, pontua que, mesmo após uma década desde a criação do Mulheres Rodadas, a luta contra a violência feminina se mantém urgente e necessária. "Na sociedade, o problema da violência contra a mulher está longe de ser superado," reflete Renata. Ela enfatiza a importância do apoio contínuo tanto do setor público quanto do privado para efetivar mudanças reais.
Com informações da Agência Brasil