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BRASIL

Santarém: indígenas protestam contra desestatização de hidrovias

Na madrugada deste sábado, um grupo de indígenas fez uma ocupação significativa: eles tomaram o escritório do terminal da multinacional Cargill no Porto de Santarém, Pará. Esse movimento é parte de uma série de protestos orquestrados pelo movimento indíge

21/02/2026

21/02/2026

Na madrugada deste sábado, um grupo de indígenas fez uma ocupação significativa: eles tomaram o escritório do terminal da multinacional Cargill no Porto de Santarém, Pará. Esse movimento é parte de uma série de protestos orquestrados pelo movimento indígena, que, há mais de um mês, vem expressando sua insatisfação com o polêmico Decreto nº 12.600. Esse decreto, promulgado em agosto de 2025, envolve a inclusão das hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND). Como isso afeta os direitos dos povos indígenas? E qual é o impacto ambiental dessa decisão?

Protesto indígena no Porto de Santarém

Por que os indígenas ocuparam o terminal da Cargill?

O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) esclareceu que a ocupação faz parte de uma agenda de protestos contra as ameaças que o Decreto nº 12.600 representa. Entre as principais preocupações estão ameaças à qualidade da água, pesca, a soberania alimentar e a integridade da floresta. "Estamos aqui porque defendemos o direito de existir", declarou o Cita, reforçando que a intenção é garantir justiça socioambiental, responsabilidade constitucional e direitos humanos.

Indígenas manifestando-se no terminal

Qual a resposta da Cargill?

A Cargill, em resposta ao movimento, descreveu as ações como "violentas". A multinacional mencionou que os manifestantes têm impedido o acesso ao terminal em Santarém por cerca de 30 dias. Apesar da ordem judicial para desocupação, a empresa revelou preocupações com a segurança de seus funcionários e a integridade de suas instalações.

“A companhia está em contato com as autoridades para que as providências para a desocupação sejam tomadas de forma ordeira e segura”, destacou a Cargill.

Há decisão do governo sobre a situação?

Diante dos protestos, o governo federal anunciou a suspensão do processo de seleção para a dragagem do Rio Tapajós. Essa decisão foi apresentada como um "gesto de negociação", embora a dragagem não estivesse diretamente vinculada à exploração privada das hidrovias. O governo também se comprometeu a formar um grupo de trabalho interministerial para realizar consultas prévias com os povos indígenas afetados por qualquer decisão.

Reunião de líderes indígenas e representantes do governo

O que querem os protestantes com a paralisação?

Os manifestantes permanecem firmes em suas demandas. O Cita enfatizou que a mobilização continuará até que haja um compromisso concreto para a revogação do decreto e para a garantia de consultas prévias, livres e informadas sobre qualquer empreendimento que possa impactar suas terras e tradições. Essa luta é parte de um clamor mais amplo por justiça social e ambiental, refletindo a resistência das comunidades indígenas em proteger seus direitos e territórios.

Comunidade indígena manifestando na floresta



Com informações da Agência Brasil

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