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BRASIL

Histórias em quadrinhos podem ajudar no debate racial em sala de aula

Você já parou para pensar no impacto que as histórias em quadrinhos podem ter na educação, especialmente quando se trata de questões sociais importantes como o racismo? Fernanda Pereira da Silva, doutoranda e professora na Universidade Federal Fluminense

22/02/2026

22/02/2026

Você já parou para pensar no impacto que as histórias em quadrinhos podem ter na educação, especialmente quando se trata de questões sociais importantes como o racismo? Fernanda Pereira da Silva, doutoranda e professora na Universidade Federal Fluminense (UFF), apostou nessa ideia e investigou como as graphic novels podem ser uma ferramenta poderosa na formação de professores, despertando reflexões sobre temas étnico-raciais.

A pesquisa da Fernanda revelou que as graphic novels, caracterizadas por histórias completas e uma combinação cativante de texto e imagem, têm potencial para fortalecer a educação antirracista entre futuros educadores no Brasil. Vamos explorar mais sobre como essa forma de literatura visual pode transformar a abordagem da educação para as relações étnico-raciais?

Quais são os superpoderes das graphic novels na educação racial?

Durante seu mestrado, Fernanda se deparou com uma nova perspectiva ao investigar as narrativas de heróis negros nas histórias em quadrinhos. “Nunca tinha parado para tratar de questões raciais”, admitiu Fernanda em entrevista à Agência Brasil. Isso a motivou a aprofundar sua pesquisa durante o doutorado, observando como esses artefatos culturais podem ser incutidos no ensino fundamental para promover um entendimento ampliado sobre racismo.

Histórias em quadrinhos podem ajudar no debate racial em sala de aula

Como as escolas abordam o racismo?

Em suas pesquisas de campo no Colégio Estadual Júlia Kubitschek, Fernanda observou que o racismo é discutido principalmente em novembro, durante o mês da Consciência Negra. Entretanto, os alunos vivem situações de discriminação durante todo o ano, sem que haja um planejamento contínuo para lidar com essas questões. De acordo com um estudo do Geledés Instituto da Mulher Negra e do Instituto Alana, a Lei 10.639/2003, que obriga o ensino de história e cultura afro-brasileira, é ignorada em 71% dos municípios do Brasil.

Como as HQs podem ser aliadas no combate ao racismo na escola?

Fernanda acredita que as graphic novels oferecem uma abordagem mais envolvente para educar sobre o racismo. Ela sugere que trazer histórias, como a de Carolina Maria de Jesus, através dessas narrativas, pode proporcionar uma forma acessível e impactante para abordar a educação antirracista nas salas de aula. "Por que não levar essa história e, através das graphic novels, apresentar para os estudantes?" Pergunta Fernanda.

Histórias em quadrinhos podem ajudar no debate racial em sala de aula

Quais os resultados dessa imersão prática na educação?

O trabalho de Fernanda não ficou apenas nas teorias; ela mergulhou em ações práticas. A professora Walcéa Barreto Alves, da UFF, destacou que a pesquisa incluiu observação direta nas escolas, revelando a falta de debates contínuos sobre questões étnico-raciais. Essa prática interventiva, ao buscar conferir material de apoio como as HQs, visa preparar futuros professores para educar as novas gerações com sensibilidade e conhecimento sobre a temática racial.

Qual a importância de uma abordagem visual nas questões raciais?

Segundo a professora Walcéa, as histórias em quadrinhos são ferramentas valiosas para amplificar debates sobre racismo. Com sua combinação de texto e imagem, as HQs trazem uma "leveza" que facilita o entendimento profundo de temas complexos, ao mesmo tempo em que permitem a exploração de questões paralelas importantes."Há necessidade de avançar e usar as HQs para valorizar e esclarecer questões étnico-raciais", concluiu.



Com informações da Agência Brasil

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