Na véspera de um julgamento que promete marcar a história, especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) clamam por justiça no caso dos assassinatos de Marielle Franco, vereadora, e Anderson Gomes, motorista. A audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) acontece amanhã, terça-feira (24), em Brasília.
O comunicado, emitido diretamente de Genebra, defende que o julgamento seja conduzido com equidade e transparência. A ONU, com apoio de 16 especialistas, destaca a importância de se assegurar justiça e reparação frente ao racismo sistêmico e à discriminação estrutural no Brasil.
Qual é a importância deste julgamento?
Marielle Franco e Anderson Gomes foram brutalmente assassinados no dia 14 de março de 2018, no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. A ONU ressalta que o julgamento não é apenas um passo para justiça sobre esses crimes, mas também um marco na luta contra a impunidade do racismo e contra a violência dirigida a defensores de direitos humanos.
“Marielle Franco era uma defensora dos direitos humanos que se manifestava contra o racismo sistêmico, a discriminação estrutural e a brutalidade policial no Brasil. Ela era vítima de discriminação interseccional, especificamente a intersecção entre racismo, classismo, misoginia e preconceito com base na orientação sexual”, observaram os especialistas.
Por que o julgamento demora?
O comunicado da ONU sublinha as mudanças frequentes na liderança das investigações e o vazamento de informações, destacando que oito anos se passaram até a chegada deste momento. Apesar de algumas condenações terem ocorrido em 2024, os especialistas alertam que o combate à impunidade ainda não foi concluído.
Quem são os acusados?
No centro das acusações, estão nomes destacados: Domingos Brazão e seu irmão Chiquinho, junto com Rivaldo Barbosa, são apontados como mandantes do crime. Ronald Paulo de Alves teria monitorado a vereadora, enquanto Robson Calixto Fonseca é acusado de entregar a arma usada nos assassinatos.
Quais são as motivações por trás dos assassinatos?
A investigação da Polícia Federal sugere que os assassinatos estão relacionados às discordâncias políticas entre Marielle Franco e o grupo liderado pelos irmãos Brazão. A questão envolve tensões sobre o controle fundiário em áreas dominadas por milícias no Rio de Janeiro.
Com o julgamento no STF, a expectativa é que não só a justiça para Marielle e Anderson seja alcançada, mas que se abra caminho para enfrentar de maneira mais agressiva as estruturas que permitem a violência e a discriminação no país.
Com informações da Agência Brasil