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BRASIL

Estado de São Paulo tem aumento de feminicídios em janeiro deste ano

Imagine viver em um ambiente onde o simples fato de ser mulher pode representar um risco fatal. Infelizmente, essa é a realidade enfrentada por muitas mulheres em São Paulo, onde o número de feminicídios tem mostrado um aumento alarmante. Em janeiro deste

27/02/2026

27/02/2026

Imagine viver em um ambiente onde o simples fato de ser mulher pode representar um risco fatal. Infelizmente, essa é a realidade enfrentada por muitas mulheres em São Paulo, onde o número de feminicídios tem mostrado um aumento alarmante. Em janeiro deste ano, 27 mulheres foram assassinadas, um crescimento significativo em relação ao mesmo período do ano passado. Esses dados são um grito de alerta, divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do estado de São Paulo (SSP), que pede a nossa atenção para essa dura realidade.

Mas por que essa violência extrema persiste e, muitas vezes, parece inevitável? De 15 casos de feminicídio registrados em janeiro, 15 autores foram presos em flagrante. A maioria desses crimes ocorreu nas cidades do interior paulista, enquanto outras vítimas foram assassinadas na capital e na região metropolitana. O que acontece antes dessas tragédias se desenrolarem? Quais sinais estão sendo ignorados? E como podemos quebrar esse ciclo brutal?

Por que o feminicídio ainda é tão comum?

A pesquisadora Daiane Bertasso, do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem) da Universidade Estadual de Londrina (Uel), traz uma reflexão importante sobre o tema. Ela explica que o feminicídio não é um crime isolado, mas o resultado de um ciclo de violência que muitas vezes é negligenciado. "O feminicídio não é um crime inesperado. É um crime que resulta de relações familiares e íntimas. E ele se dá depois de um ciclo de violências de vários tipos", afirma Bertasso. A Lei Maria da Penha já norteia essa questão, tipificando os vários tipos de violência que culminam nesse crime hediondo.

Quais são os sinais de alerta ignorados?

Infelizmente, o machismo e a misoginia ainda estão profundamente enraizados na sociedade, o que contribui para que os sinais de alerta de violência sejam ignorados ou minimizados. A pesquisadora observa que, muitas vezes, as mulheres sentem-se intimidadas ou envergonhadas e não se abrem sobre suas situações. E, mesmo quando fazem, os familiares tendem a subestimar a seriedade do que está acontecendo, encarando como "uma fase".

Como as medidas protetivas falham?

Casos de feminicídio destacados pela imprensa mostram outra face alarmante da questão: mesmo quando munidas de medidas protetivas, muitas mulheres acabam sem a devida proteção e são mortas por seus agressores. Bertasso ressalta a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes que realmente acolham e protejam essas mulheres para evitar desfechos trágicos.

Qual o papel da masculinidade tóxica nessa violência?

A toxicidade enraizada nas ideias de masculinidade é um componente crítico desse cenário violento. Estudos mostram que canais que promovem ideais misóginos estão moldando o pensamento de novas gerações. "A gente tem uma linha de pesquisa que estuda a machosfera", destaca Bertasso. Para contrapor essa influência negativa, ela sugere uma educação focada em relações de gênero nas escolas, que seja obrigatória, afim de evitar que jovens sejam seduzidos por ideais nocivos disseminados no espaço digital.

Qual é o cenário de feminicídio no Brasil?

O panorama de violência contra mulheres no Brasil é desolador. Em 2025, foram registrados 1.518 casos de feminicídio, conforme o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Isso representa quatro mortes diárias. São Paulo especificamente alcançou um recorde, com 270 vítimas ao longo do ano, um aumento de 6,7% em relação a 2024. A questão se destaca nos dados da Secretaria da Segurança Pública do estado.

Fica claro que o combate ao feminicídio deve ser abrangente, envolvendo ações desde a prevenção, identificação precoce dos sinais de violência, até a atuação eficaz de órgãos protetivos, sempre com o objetivo de assegurar que nenhuma mulher seja deixada à própria sorte. A cada dado divulgado, a cada história contada, a realidade soa como um apelo por transformação e urgência.



Com informações da Agência Brasil

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