Margarida Salomão, prefeita de Juiz de Fora, revela um cenário alarmante: 25% da população da cidade vive em áreas de risco. Com uma topografia montanhosa, as habitações, situadas em encostas, tornaram-se a causa de tragédias recentes, até mesmo para aqueles que desfrutam de conforto financeiro. A forte chuva que caiu na região da Zona da Mata mineira desde 23 de fevereiro já cobrou um alto preço: 64 vidas foram tragicamente interrompidas, 58 dessas em Juiz de Fora.
Esses eventos trágicos acionam um alerta não apenas para a vulnerabilidade das áreas atingidas, mas também sobre a urgência de intervenções urbanísticas em Juiz de Fora. Margarida destaca a complexidade de se convencer moradores a abandonar suas casas, algumas fruto de uma vida inteira de esforço. "É como pedir para arrancá-las de seus próprios corpos", diz.
O que levou a tamanha catástrofe natural em Juiz de Fora?
Especialistas consultados pela Agência Brasil destacam que esses temporais refletem a negligência frente às mudanças climáticas. Por ser uma região serrana, Juiz de Fora enfrenta o desafio extra de lidar com construções em encostas, uma situação comum também em outras localidades sujeitas a essas condições adversas.
"Basta uma mudança no tempo para sentirmos o impacto direto nos nossos dias", assinala um dos especialistas, refletindo sobre como a reação tardia às mudanças climáticas resulta em desastres humanitários e ecológicos.
Como a prefeitura está enfrentando esse desafio?
Além de esforços gigantes para garantir a segurança de seus cidadãos, a prefeitura de Juiz de Fora está coordenando ações que visam remediar a situação de emergência e prevenir futuros riscos. Mais de 500 pessoas encontram-se abrigadas em instalações provisórias e cerca de 5 mil estão desalojadas.
"Entendemos que, além da assistência emergencial, precisamos planejar intervenções urbanas que assegurem a cidade como um espaço seguro e digno de convivência", declara a prefeita, sinalizando a escala do planejamento futuro necessário.
Qual a participação do governo federal na reconstrução das áreas atingidas?
Neste sábado, 28 de fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobrevoa as áreas severamente atingidas, acompanhado de sua equipe, para compreender melhor o cenário e alinhar medidas de apoio. Em reunião com líderes locais, Lula sinaliza a entrega de um apoio financeiro e técnico essencial para retomar a normalidade.
A Defesa Civil já decretou calamidade pública nos municípios de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, enquanto recursos significativos foram liberados pelo governo federal. Disponibiliza-se saques do FGTS para os afetados, limitados a R$ 6.220 por pessoa, a partir de hoje.
Na sexta-feira, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) manteve um alerta sobre risco de chuvas intensas, prevendo até 100 milímetros por dia, além de ventos que podem alcançar 100 km/h, indicando perigos iminentes como alagamentos e interrupções na energia elétrica.
Para mais informações sobre como Juiz de Fora e suas comunidades estão respondendo a essas calamidades, assista ao segmento exclusivo do programa Alô Alô Brasil da Rádio Nacional:
Com informações da Agência Brasil