Há dois anos, os Parakanã retomaram a Terra Indígena Apyterewa, no sudeste do Pará, após a retirada de invasores. Esse povo indígena está se reestabelecendo e planejando o futuro, embora ainda enfrente as consequências de décadas de ocupação ilegal. As medidas de desintrusão, determinadas pelo STF em 2023, estão sendo rigorosamente mantidas pelas autoridades. Como será o futuro desse território sob as mudanças e pressões atuais?
Na Terra Indígena Apyterewa, um intenso processo de recuperação e proteção está em curso. As ações para a retirada dos invasores foram determinadas pelo Supremo Tribunal Federal em 2023, iniciando em outubro do mesmo ano. O programa Caminhos da Reportagem destaca as iniciativas para manter a área livre de intrusos, exibindo como os Parakanã retomam o controle de seu território. Você já imaginou os desafios enfrentados por esse povo para recuperar suas terras?
Qual o impacto das ações de desintrusão nas terras indígenas?
As operações de desintrusão ocorreram em nove territórios da Amazônia Legal, ao todo, impactando a vida de 60 mil indígenas. Conforme relata Nilton Tubino, que estava à frente das ações, a operação em Apyterewa foi particularmente tensa devido à resistência de políticos e fazendeiros. A presença de um grande rebanho bovino e a infraestrutura de vilas e comércios ilegais complicaram ainda mais o processo. Como você acha que esses desafios poderiam ser resolvidos?
O que ainda impede a completa recuperação da TI Apyterewa?
Enquanto muitos invasores foram afastados, o rebanho bovino continua a ser um problema. Embora a maioria dos pecuaristas tenha retirado seus animais, ainda restam cerca de 1.300 bovinos que pastam no território, segundo monitoramento do Ibama. A área ainda está sujeita a ameaças e incidentes violentos, como o assassinato de Marcos Antônio Pereira da Cruz, vaqueiro contratado pelo Ibama. Como seria a TI se fosse completamente recuperada?
Como as ameaças persistentes afetam os Parakanã?
A recuperação do território não está livre de perigos. Após a desintrusão, os ataques contra os Parakanã persistem. Segundo Mamá Parakanã, cacique-geral da TI, ocorreram oito ataques às aldeias. O carro da associação Tato’a foi alvo de tiros, e indígenas continuam relatando tentativas de invasão. Como a presença estatal pode ajudar a proteger essas terras?
Quais são os próximos passos para garantir a segurança da TI Apyterewa?
A presença de forças de segurança pública na região é reforçada pelo Ministério da Justiça. Além disso, as mulheres parakanãs estão participando de um programa de reflorestamento, para ajudar a recuperar as áreas devastadas pelos invasores. Wenatoa Parakanã, presidente da associação Tato’a, enfatiza que o próximo passo é o reflorestamento e se orgulha da capacitação que as mulheres estão recebendo. Quais outros impactos positivos você imagina para essa iniciativa?
O fortalecimento das medidas de segurança é essencial para proteger a TI Apyterewa. O Ministério da Justiça e Segurança Pública planeja aumentar o efetivo especializado na região, incluindo profissionais qualificados em pilotagem de drones. Como você vê o papel do Estado em garantir a soberania das terras indígenas?
*A equipe da EBC viajou a convite do Ministério dos Povos Indígenas
Com informações da Agência Brasil