28° 24° | Rio de Janeiro - RJ

Dólar |

Euro |

Peso | 3.20


lupa
lupa
lupa
BRASIL

Número de vítimas de feminicídio supera em 38% registros oficiais

O número de casos de feminicídio no Brasil teve um aumento alarmante em 2025. Foram 6.904 mulheres vítimas, entre casos consumados e tentativas, um aumento de 34% em comparação ao ano anterior, quando foram registradas 5.150 vítimas. Isso significa que, e

02/03/2026

02/03/2026

O número de casos de feminicídio no Brasil teve um aumento alarmante em 2025. Foram 6.904 mulheres vítimas, entre casos consumados e tentativas, um aumento de 34% em comparação ao ano anterior, quando foram registradas 5.150 vítimas. Isso significa que, em média, quase seis mulheres (5,89) perderam a vida diariamente no país apenas por causa de sua condição de ser mulher.

Esses dados surpreendentes fazem parte do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL). O documento não apenas revela os números, mas também traça um perfil detalhado das vítimas e dos agressores, ajudando a entender a complexidade da situação. Diante desse cenário, você já se perguntou como esses números são coletados e por que há variações nos dados?

Por que os números de feminicídio variam tanto entre as fontes?

O contraste nos números é evidente. De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), foram registradas 1.548 mortes de feminicídio em 2025, através do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). No entanto, o relatório do Lesfem apresenta uma cifra bem maior. Segundo a pesquisadora do Lesfem, Daiane Bertasso, essa diferença significativa se deve, principalmente, à subnotificação dos casos.

"Mesmo os nossos dados sendo acima dos dados da segurança pública [Sinesp], a gente acredita que há ainda subnotificação. […] Pelas nossas experiências e pesquisas, a gente acredita que esse registro ainda é inferior à realidade, infelizmente", explicou Daiane.

A subnotificação ocorre por diversos motivos, entre eles a falta de denúncias por parte das vítimas e a dificuldade em classificar corretamente os crimes como feminicídio no momento do registro. O relatório do Lesfem busca mitigar esses problemas através de metodologias alternativas, como o crossexame de contradados e o monitoramento constante de fontes de notícias não estatais para identificar casos não reportados oficialmente.

O perfil das vítimas e dos agressores de feminicídio no Brasil

Os dados do Lesfem revelam que o feminicídio no Brasil ocorre predominantemente no contexto íntimo. Cerca de 75% dos casos acontecem dentro desse âmbito, em que o agressor é alguém próximo da vítima, como companheiros ou ex-companheiros. Muitas mulheres foram vítimas desse crime em suas próprias casas ou no lar que compartilhavam com o agressor.

O perfil mais comum das vítimas é de mulheres entre 25 a 34 anos, com uma média de idade de 33 anos. Um dado alarmante é que 22% dessas mulheres já tinham registrado denúncias anteriores contra o agressor. Além disso, muitas dessas vítimas eram mães, deixando 1.653 crianças órfãs como consequência dessas ações cruéis. Em relação aos agressores, a idade média é de 36 anos, e a grande maioria (94%) agiu sozinha. Quase metade dos crimes foi cometida com arma branca.

Por que o feminicídio é chamado de “crime anunciado”?

Segundo a pesquisadora, o feminicídio é um "crime anunciado". Isso porque ele geralmente é o desfecho de uma série de violências pregressas, que ocorrem ao longo do tempo dentro das relações familiares e íntimas. O machismo enraizado e a masculinidade tóxica perpetuam um ciclo de violência que, muitas vezes, é ignorado pela sociedade e pelas próprias autoridades.

"O feminicídio não é um crime inesperado. É um crime que resulta de relações familiares e íntimas. E ele se dá depois de um ciclo de violências de vários tipos", afirmou Daiane.

Casos que ganham destaque na mídia frequentemente envolvem mulheres que tinham medidas protetivas, mas que, mesmo assim, não conseguiram evitar o trágico destino. A pesquisadora também chama atenção para a "machosfera", onde redes e comunidades reforçam atitudes machistas e misóginas, influenciando comportamentos de jovens e até crianças, mais um motivo para estarmos vigilantes e atuantes no combate a essa forma de violência.



Com informações da Agência Brasil

Tags