O presidente Lula destaca que mais de 600 milhões de pessoas enfrentam a fome globalmente e argumenta que o dinheiro direcionado para conflitos internacionais poderia aliviar essa crise, caso houvesse "bom senso dos governantes". A crítica de Lula foi dirigida principalmente ao Conselho de Segurança da ONU, que segundo ele, não está fazendo o suficiente para combater a insegurança alimentar mundial.
“Não precisaria ter fome, se houvesse o bom senso dos governantes do mundo. Eu quero começar fazendo um apelo aos nossos presidentes responsáveis pelo Conselho de Segurança, como membros permanentes da ONU. São apenas cinco pessoas, que poderiam fazer uma teleconferência, pra ninguém ser atacado por drone a noite, pra fazer uma discussão se o que vai resolver o problema da humanidade é mais guerra ou mais paz. Se é a produção de mais arma ou o aumento da distribuição da distribuição e da renda do povo, pra gente ter a alimentação necessária”.
Essas declarações foram feitas durante a abertura da Conferência Regional da FAO, em um discurso que enfatizou a responsabilidade dos líderes mundiais em acabar com a fome. Lula criticou a falta de compromisso dos poderosos com aqueles que vivem com fome.
“Famintos não protestam, eles não estão organizados em sindicatos, eles estão longe, muitas vezes, do centro de poder, não conseguem nem fazer passeata. Então, as pessoas não se preocupam. É por excesso de responsabilidade, falta de compromisso, que a gente não consegue exterminar a fome do planeta terra”.
Por que investir na agricultura familiar pode ser a solução?
A reunião contou com ministros de mais de 20 países da América Latina e Caribe, e Lula defendeu o aumento do financiamento para a agricultura familiar como uma estratégia chave para superar a fome.
“A FAO reconheceu que nós acabamos com a fome outra vez. Ninguém quer produzir só pra comer, é preciso ensinar as pessoas que eles podem produzir e ganhar dinheiro produzindo. E o papel do estado de crédito pra financiar. Por que que os grandes têm tanto financiamento e a gente não pode dar também pros pequenos. É apenas uma decisão”.
O ministro brasileiro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, também defendeu que “investir na agricultura familiar é decisivo no combate à fome”.
“Agricultura familiar é parte essencial da solução para as grandes crises do nosso tempo. Da fome, da pobreza e do meio ambiente. Por isso, é fundamental apoiar a agricultura familiar, com políticas de acesso a terra, crédito, assistência técnica, extensão rural, compras públicas de incentivo ao corporativismo e do fortalecimento da autonomia econômica das mulheres, dos jovens, dos povos e comunidades tradicionais”.
Quais os desafios e avanços no combate à fome?
Em um contexto de progresso, em julho do ano passado, o Brasil saiu do Mapa da Fome, conforme relatório da FAO. O Diretor-Geral da organização, Qu Dongyu, destacou avanços também em outros países da América Latina, graças a políticas descritas como "extraordinárias". Contudo, ele apontou desafios, como os altos preços dos alimentos e a necessidade urgente de mais financiamento para a produção alimentícia.
Com informações da Agência Brasil