Um em cada cinco adolescentes brasileiros, com idades entre 12 e 17 anos, vivenciou algum tipo de violência sexual no período de um ano, facilitado pelo uso da tecnologia. Isso equivale a cerca de 3 milhões de jovens, entre meninas e meninos, que foram vítimas dessa forma de violência, segundo um estudo do Unicef, divulgado recentemente em uma quarta-feira, 4 de outubro. Esta pesquisa oferece um olhar atento sobre uma problemática alarmante, convidando você a conhecer mais sobre suas revelações.
O estudo envolveu entrevistas com mais de mil crianças e adolescentes, além de mil responsáveis em todo o Brasil. Profissionais do sistema de Justiça e pessoas que vivenciaram essa violência quando eram menores de idade também contribuíram com suas experiências.
Como os agressores utilizam a tecnologia para o abuso sexual infantil?
Entre novembro de 2024 e março de 2023, o estudo "Enfrentando Violências no Brasil: evidências sobre exploração e abuso sexual infantil facilitadas pela tecnologia" revelou que o meio digital é o principal vetor desses abusos. Redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos online despontam como os principais canais. Notavelmente, o Instagram e o WhatsApp são citados como os espaços mais aproveitados pelos agressores para praticar esses crimes.
Quem são os principais autores desses crimes?
Quase metade dos casos, 49%, envolve agressores conhecidos pela vítima. De acordo com Luiza Teixeira, especialista em proteção à criança do Unicef no Brasil, essa proximidade facilita o abuso devido à relação de confiança que geralmente se forma entre vítima e agressor.
“Para fazer esse contato inicial, conhecer a vítima ajuda nessa conexão inicial. Pessoa acha o perfil de uma criança que conhece na rede social. Muitas vezes esse perfil é fechado, a pessoa faz o pedido para conectar e aí começa essa interação a partir daí. Isso é algo que a gente presume, mas a gente sabe que nessas interações é muito mais provável a criança aceitar a solicitação de alguém que ela saiba quem é, do que de um estranho completo”.
Por que tantas vítimas escondem o abuso?
O relatório também indica que 34% das vítimas não revelaram o que sofreram. Entre os motivos listados estão o desconhecimento sobre onde buscar apoio, o constrangimento, a vergonha e o temor de não serem acreditadas.
Que novos desafios a inteligência artificial trouxe?
O estudo alerta ainda para um fenômeno emergente: 3% das vítimas relataram terem tido imagens ou vídeos sexualizados criados com inteligência artificial, utilizando sua própria aparência. Esta nova ameaça expande ainda mais os riscos enfrentados por essa faixa etária no ambiente digital.
Os impactos na saúde mental são profundos. Crianças e adolescentes vítimas de violência sexual enfrentam, frequentemente, sentimentos de culpa, altas taxas de ansiedade, automutilação e até pensamentos ou tentativas de suicídio.
Com informações da Agência Brasil