Falar sobre violência de gênero é um desafio importante e necessário na sociedade atual. Neste cenário, a ONG Redes Cordiais lançou a cartilha 'Fala que Protege' visando criar uma internet mais responsável e acolhedora.
Embora direcionada inicialmente a comunicadores e influenciadores digitais, a cartilha estará disponível gratuitamente para o público em geral. A iniciativa, apoiada pelo YouTube, visa orientar criadores de conteúdo sobre como abordar de forma responsável os casos de violência contra meninas e mulheres nas redes sociais.
Como a "Fala que Protege" pode ajudar você a fazer a diferença?
A ideia é que todos os usuários da internet, não apenas criadores de conteúdo, possam se educar e agir com responsabilidade quando tratarem assuntos tão delicados. O lançamento oficial da cartilha acontece no próximo domingo, coincidindo com o Dia Internacional da Mulher. Essa data foi escolhida estrategicamente para dar visibilidade à crescente discussão sobre crimes de gênero e ao aumento de discursos de ódio nas redes sociais, incluindo grupos "redpill".
Quais são os dados alarmantes sobre a violência de gênero no Brasil?
Os números são preocupantes: em 2025, o Conselho Nacional de Justiça registrou 621.202 medidas protetivas, quase 1 milhão de novos processos por violência doméstica e mais de 4 mil casos de feminicídio. Comparando com 2020, houve um aumento de 94% nos feminicídios em cinco anos.
Por que a internet pode ser um terreno fértil para o discurso de ódio?
Clara Becker, diretora executiva e co-fundadora da Redes Cordiais, destaca que a internet tem amplificado discursos de ódio. Segundo ela, "não é que as violências não acontecessem antes do advento das redes, mas hoje essas violações encontram respaldo em discursos disseminados online, principalmente em grupos que incentivam o ódio contra meninas e mulheres".
Como utilizar a cartilha para se comunicar de forma mais empática?
O material é um guia prático, apresentando tipos de violência, o conceito de consentimento e orientações práticas para cobertura de casos de violência sem prejudicar vítimas ou proteger agressores. Veja algumas orientações:
- Evitar a culpabilização das vítimas em qualquer hipótese.
- Não usar a voz passiva, como em “Mulher é morta”, para não mascarar a responsabilidade do agressor.
- Rejeitar o sensacionalismo e a descrição gráfica de violência.
- Contextualizar casos com estruturas de misoginia e racismo.
- Deixar sobreviventes falarem por si mesmos, sem induzir respostas.
- Ser cauteloso ao referir-se ao agressor, usando termos como “suspeito” ou “acusado”, conforme o contexto.
Qual é o papel dos comunicadores ao abordar vítimas de violência?
Comunicadores devem ser acolhedores e atentos, não duvidando de relatos e oferecendo contatos de serviços oficiais, como o Ligue 180 e o 190. É crucial não divulgar histórias sem autorização e reconhecer os próprios limites ao lidar com tais situações complexas.
Com informações da Agência Brasil