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BRASIL

Santos terá centro de memória para vítimas de violência do Estado

Você sabia que, há cerca de duas décadas, um evento trágico conhecido como Crimes de Maio resultou na morte de 564 pessoas? Esse confronto entre agentes do Estado e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) ainda ecoa na memória de muitos, especial

04/03/2026

04/03/2026

Você sabia que, há cerca de duas décadas, um evento trágico conhecido como Crimes de Maio resultou na morte de 564 pessoas? Esse confronto entre agentes do Estado e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) ainda ecoa na memória de muitos, especialmente na Baixada Santista, onde 115 dessas mortes foram registradas. Entre as vítimas estava Edson Rogério Silva dos Santos, cujo falecimento inspirou sua mãe, Débora Maria da Silva, a fundar o movimento Mães de Maio. Mas você sabia que existem fortes indícios de execução policial na maioria desses casos?

A Baixada Santista é também o cenário de operações policiais recentes, como a Operação Escudo. Isso acentuou seu histórico de violência estatal. Hoje, esse território é o lar de uma iniciativa inédita: a criação do Centro de Memória das Vítimas de Violência do Estado e do Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social (CAIS) Mães por Direitos. Quer saber como esses centros podem transformar a realidade local?

Por que criar centros de memória e direitos na Baixada Santista?

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania aponta que a escolha da Baixada Santista não foi por acaso. A região, marcada por um histórico de letalidade policial, se transforma em um símbolo de resistência e memória. O objetivo? Resgatar a dignidade das vítimas e suas famílias, além de trilharmos o caminho da justiça de transição. "Centros de Memória são importantes, primeiro porque trazem a verdade para o conjunto da população; segundo, porque preservam e recuperam a dignidade das vítimas e de suas famílias", afirma a ministra Macaé Evaristo.

Como os centros vão ajudar as famílias?

O Centro de Memória foca na articulação de memória e produção de conhecimento, além de prestar atendimento psicossocial e jurídico. Já o CAIS Mães de Direitos será um local de "porta aberta", oferecendo acolhimento qualificado e acesso a direitos fundamentais. Ambos se unem para fortalecer a responsabilização dos autores de violência e propiciar um suporte robusto para famílias impactadas.

Quem está por trás dessa iniciativa?

A realização é uma parceria entre o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o movimento Mães de Maio, e a Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas. Juntos, eles não só implementam e gerem o espaço, mas também programam exposições, atividades culturais e educativas.

“Esta é uma homenagem a nossos filhos, que não se pode apagar. Um memorial dos nossos filhos”, destaca Débora Maria da Silva, do movimento Mães de Maio.

Especialistas multidisciplinares vão compor a equipe desses centros, oferecendo apoio em áreas como saúde e jurídico. Essa ação não mira apenas na memória do passado, mas busca transformar o presente e construir um futuro onde a violência do Estado seja contada sob a ótica das suas vítimas.



Com informações da Agência Brasil

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