Você já parou para pensar que sete em cada dez mulheres no Brasil relatam ter vivido alguma forma de assédio moral ou sexual? As ruas e espaços públicos são os cenários mais comuns para essas situações dolorosas. Essa realidade veio à tona com a pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres, divulgada recentemente.
O estudo foi conduzido pelo Instituto Cidades Sustentáveis e pela Ipsos-Ipec. Em dezembro de 2025, foram ouvidas 3.500 pessoas em cidades grandes como São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais importantes. A pesquisa revela um panorama alarmante sobre a segurança de mulheres em diferentes contextos urbanos.
Por que tantas mulheres se sentem inseguras?
"A insegurança é uma regra na nossa vida, não uma exceção". Essa foi uma das falas impactantes de Patrícia Pavanelli, diretora da Ipsos-Ipec, ressaltando o cenário de medo constante. Ao analisar a amostra, 71% das participantes afirmaram ter sofrido assédio em um dos seis locais avaliados: ruas e espaços públicos, transporte público, ambiente de trabalho, doméstico, bares/casas noturnas ou em transporte particular.
“O espaço público e o transporte público se destacam como os lugares mais hostis para as mulheres, sendo esse um problema recorrente e que limita a nossa liberdade, o nosso direito à cidade”, destacou Patrícia.
O que esses números significam para nós?
Embora a percepção tenha recuado levemente em relação a 2014, quando a taxa era de 74%, ainda é preocupante que a proporção de mulheres que passaram por alguma forma de assédio permaneça elevada. Este cenário se mantém em dez capitais brasileiras.
Onde ocorrem mais os casos de assédio?
As ruas e espaços públicos foram mencionados por 54% das mulheres, tornando-se o principal cenário de assédio. Logo após, aparece o transporte público (citado por 50% das entrevistadas), seguido pelo ambiente de trabalho (36%).
Bares e casas noturnas também são mencionados por 32% das mulheres, enquanto o ambiente familiar surge em 26% das respostas. Já transportes particulares, como táxis ou aplicativos, compõem 19% do cenário.
É expressivo que 5% das entrevistadas relataram terem vivenciado assédio em todos os locais mensurados pela pesquisa, um número que revela a amplitude do problema.
"Embora pareça pouco, a gente está falando de mulheres que vivem em 10 capitais que concentram 33 milhões de habitantes, e 5% delas dizem que já sofreram algum tipo de assédio em todos os locais mencionados", enfatizou a pesquisa.
Com informações da Agência Brasil